Conheça a trajetória de gestoras que fazem a diferença na resposta ao HIV/aids no Brasil

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No mês em que se celebra o protagonismo feminino, três mulheres que ocupam posições estratégicas na saúde pública brasileira se destacam na construção e no fortalecimento da resposta ao HIV/aids no país. Da formulação de políticas nacionais à coordenação de programas estaduais e municipais, Mariângela Simão, Rosa Alencar e Maria Cristina Abbate representam trajetórias marcadas pelo compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) e pela defesa do acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento.

Em diferentes níveis de gestão, elas ajudam a sustentar uma política pública que tornou o Brasil referência internacional na resposta à epidemia.

Uma trajetória brasileira com impacto global

À frente da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão reúne mais de três décadas de experiência em saúde pública e na resposta ao HIV/aids.

Médica pediatra com formação em saúde pública, ela já ocupou cargos estratégicos tanto no Brasil quanto em organismos internacionais. Entre 2006 e 2010, dirigiu o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, período em que o país consolidou políticas fundamentais de acesso universal ao tratamento antirretroviral no SUS.

Sua atuação ultrapassou fronteiras. Simão foi diretora-geral adjunta da Organização Mundial da Saúde para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos e também ocupou cargos estratégicos no Unaids, contribuindo para políticas globais de enfrentamento da epidemia e ampliação do acesso a tratamentos.

Hoje, de volta ao governo brasileiro, sua atuação reforça a importância da vigilância epidemiológica e da integração das políticas públicas de saúde para enfrentar desafios antigos e emergentes relacionados ao HIV, às hepatites virais e a outras doenças transmissíveis.

A resposta ao HIV no estado de São Paulo

No âmbito estadual, a médica infectologista Rosa Alencar é uma das referências na condução das políticas de enfrentamento ao HIV/aids em São Paulo.

Como coordenadora-adjunta do Programa Estadual de IST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, ela atua diretamente na articulação entre vigilância epidemiológica, assistência e prevenção, contribuindo para que o estado mantenha uma das redes mais estruturadas de atendimento às pessoas vivendo com HIV no país.

Seu trabalho envolve o fortalecimento da testagem, a ampliação do diagnóstico precoce e o acompanhamento clínico qualificado, além da expansão das estratégias de prevenção combinada — que incluem preservativos, tratamento como prevenção, profilaxia pré e pós-exposição ao HIV e ações de educação em saúde.

Rosa também participa ativamente do diálogo entre gestores, profissionais de saúde e sociedade civil, um elemento historicamente central na resposta brasileira ao HIV/aids. Essa articulação tem sido fundamental para adaptar políticas públicas às novas dinâmicas da epidemia e às necessidades de populações mais vulnerabilizadas.

Inovação e prevenção na maior cidade do país

Na maior cidade brasileira, a resposta à epidemia também passa pela liderança de uma mulher. À frente da Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, Maria Cristina Abbate vem conduzindo uma gestão marcada pela inovação nas estratégias de prevenção e pelo fortalecimento da rede de cuidado.

Nos últimos anos, a capital paulista tem registrado avanços importantes no enfrentamento da epidemia, com a redução de novos casos de HIV, a eliminação da transmisão vertical do HIV e a ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Parte desses resultados está associada à expansão de políticas de prevenção combinada e a iniciativas que buscam levar os serviços para mais perto da população.

Entre as ações que ganharam destaque está a implementação da *PrEP na rua*, estratégia que leva a profilaxia pré-exposição ao HIV para territórios e populações com maior vulnerabilidade, ampliando o acesso para além dos serviços tradicionais de saúde.

Outra iniciativa inovadora foi a instalação de máquinas automatizadas de prevenção, que disponibilizam gratuitamente as profilaxias pré e pós-exposição ao HIV e autotestes de HIV em diferentes pontos da cidade, facilitando o acesso da população a ferramentas essenciais de prevenção.

Sob sua coordenação, São Paulo também ampliou a rede de testagem e aconselhamento, fortaleceu os serviços especializados em IST/Aids e manteve um diálogo permanente com organizações da sociedade civil — atores historicamente fundamentais na construção da resposta brasileira à epidemia.

O conjunto dessas estratégias tem contribuído para tornar a política municipal uma referência em inovação e acesso à prevenção no país.

Lideranças femininas na saúde pública

As trajetórias de Mariângela Simão, Rosa Alencar e Maria Cristina Abbate mostram que a resposta ao HIV/aids no Brasil também é construída por mulheres que ocupam espaços de decisão, pesquisa e gestão.

Em um campo historicamente marcado pelo diálogo entre ciência, políticas públicas e mobilização social, suas atuações reforçam que enfrentar a epidemia exige compromisso permanente com o direito à saúde, com a equidade e com a defesa da vida.

Redação da Agência de Notícias da Aids 

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