
Durante o 14° Congresso Paulista de Infectologia, que aconteceu na última semana, em Sã0 Paulo, a infectologista Roberta Schiavon, da Casa da Pesquisa do CRT-SP, apresentou resultados de um estudo multicêntrico que investigou a prevalência da infecção latente por tuberculose (ILTB) em idosos vivendo com HIV/aids no Brasil. A pesquisa foi realizada em colaboração com a SEAP-USP, Vanderbilt University e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, como parte do Estudo Longitudinal do Envelhecimento e Aids (ELEA-Brasil).
Os dados revelaram uma alta prevalência de ILTB nessa população, com 36% (169 de 473) dos participantes testando positivo. Os resultados variaram entre as diferentes cidades analisadas, ressaltando a necessidade urgente de políticas públicas direcionadas a esse grupo vulnerável.
“Há uma grande lacuna nos dados sobre a prevalência de tuberculose latente no Brasil, especialmente entre idosos vivendo com HIV/aids. Este estudo destaca a importância de dados nacionais e evidenciou uma prevalência alarmante de ILTB nessa população, o que exige uma resposta imediata”, afirmou a Dra. Schiavon.
Apesar das diretrizes nacionais, a triagem para ILTB em pessoas vivendo com HIV/aids ainda é limitada, o que compromete a eficácia de estratégias preventivas e terapêuticas que poderiam evitar a progressão para a tuberculose ativa e suas complicações. “É essencial alertar os profissionais de saúde sobre a importância da triagem de tuberculose latente, bem como da implementação de estratégias nacionais consistentes, garantindo o fornecimento contínuo de insumos para essa triagem, como a prova tuberculínica”, destacou Schiavon.
A pesquisadora enfatizou a relevância de investigar a ILTB em pacientes HIV positivos, particularmente entre os idosos, pois medidas preventivas adequadas podem ser cruciais para reduzir as taxas de morbidade e mortalidade associadas à coinfecção HIV/TB. “A tuberculose é uma das principais causas de morte no Brasil, e é amplamente reconhecido que o tratamento preventivo da tuberculose latente diminui o risco de ativação da doença e morte pela coinfecção HIV-TB”, concluiu.
O estudo sublinha a necessidade de ampliar a triagem e o tratamento da tuberculose latente, especialmente entre as populações de maior risco, como os idosos com HIV. A pesquisa da Casa da Pesquisa do CRT serviu como um importante chamado à ação no congresso, destacando a urgência de aprimorar as práticas de saúde para salvar vidas.
Vinicius Francisco, especial para a Agência Aids
Dica de entrevista
CRT
Tel.: (11) 5087-9901


