Conferência Europeia sobre Aids começa em Paris com debate sobre estigma e desafios da prevenção do HIV entre mulheres cis e trans

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

A 20ª Conferência Europeia sobre AIDS (EACS 2025) começou nesta quarta-feira, 15 de outubro, em Paris, reunindo pesquisadores, clínicos, ativistas e representantes da comunidade global para discutir os avanços científicos e os desafios da medicina do HIV sob o tema “Da Ciência à Implementação”.

Diretamente do Palais des Congrès, a pesquisadora, educadora comunitária e antropóloga Pisci Bruja iniciou sua participação como observadora da Agência de Notícias da Aids, trazendo em seus boletins diários uma perspectiva crítica, científica e comunitária sobre os debates do evento, que segue até o dia 18 de outubro.

Em seu primeiro boletim, Pisci destacou a importância das discussões voltadas às mulheridades cis e trans na epidemia de HIV e aids, enfatizando o papel do estigma e da invisibilização desses grupos. “A gente começou falando sobre o estigma que responsabiliza determinados grupos populacionais pela epidemia, ao passo que promove o apagamento da epidemia nas mulheridades. Falamos sobre a subrepresentação nos estudos clínicos, nos dados epidemiológicos e até no uso de PEP e PrEP”, relatou.

Ela lembrou que, no Brasil, a partir de 2023, a PrEP passou a ser autorizada também para mulheres cisgêneras que não são profissionais do sexo, destacando o potencial da profilaxia como ferramenta de autonomia e empoderamento. “Nem sempre é fácil negociar o uso do preservativo, então é fundamental que as mulheres tenham acesso a alternativas que lhes garantam o direito à saúde sexual”, afirmou.

Outro tema relevante discutido no evento foi a amamentação por pessoas vivendo com HIV. Pisci explicou que novas diretrizes europeias vêm sendo debatidas, considerando a possibilidade do aleitamento em pessoas com carga viral indetectável, desde que sob acompanhamento rigoroso. “Foram apresentadas 10 diretrizes europeias que definem critérios para defender a amamentação em pessoas indetectáveis. É um tema sensível, que envolve aspectos clínicos e afetivos”, comentou.

A antropóloga também chamou atenção para o envelhecimento das mulheres que vivem com HIV, tema ainda pouco explorado na literatura científica. “O envelhecimento feminino com HIV é diferente. Há maior risco cardiovascular, perda óssea, impacto hormonal e uma série de desafios que precisam ser olhados com mais atenção”, pontuou.

Além disso, Pisci destacou dados preocupantes sobre a alta taxa de novos diagnósticos de HIV entre mulheres imigrantes na Europa, especialmente de origem africana e do leste europeu. Segundo ela, 58% dos novos casos em mulheres são de imigrantes, o que revela desigualdades profundas no acesso à prevenção e ao tratamento.

Em suas palavras finais, ela reforçou a necessidade de ampliar o olhar sobre a epidemia entre as mulheres e combater o estigma que ainda persiste. “Já passou da hora de a gente parar com esse apagamento. No mundo todo, mais de 50% das pessoas vivendo com HIV são mulheres, mas elas seguem subrepresentadas nas pesquisas. A gente precisa mudar isso”, concluiu.

A cobertura da pesquisadora, educadora comunitária e antropóloga Pisci Bruja segue até o fim da conferência, com boletins diários trazendo os principais destaques da EACS 2025 para o público brasileiro.

Redação da Agência de Noticias da Aids

 

Apoios