COMUNICAIDS: EM OFICINA, ATIVISTAS DISCUTEM ASPECTOS LIGADOS À COMUNICAÇÃO

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23/03/2007 – 15h10

Dependendo do receptor, a mesma informação pode ter “múltiplas interpretações”. A avaliação é de Magaly Pazello, da ONG Cris Brasil (RJ), que na manhã desta sexta-feira (23/03) foi “facilitadora” (termo com a qual a própria definiu seu trabalho) da oficina intitulada “Comunicação e Aids: o que temos, o que queremos e o que podemos fazer.” Como o nome indica, a atividade serviu para que os ativistas presentes ao Seminário de Políticas de Comunicação em AIDS (ComunicAids), que se encerra hoje, discutissem os diversos aspectos que envolvem o tema da comunicação.

“Nenhuma informação é única, ela pode ter múltiplas interpretações”, explicou Magaly Pazello, da ONG Cris Brasil (RJ), durante oficina realizada na manhã de hoje. Próximo do fim dos trabalhos, que se encerraram por volta das 13h00, Pazello fez uma rápida avaliação sobre as campanhas de prevenção perpetradas pelo poder público. “As campanhas são muito pudicas”, opinou.

Além disso, concluiu a ativista carioca, elas não falariam “para as pessoas já vivendo com Aids”. Ela considera isso importante porque os soropositivos precisariam ter consciência de sua “responsabilidade” junto aos indivíduos não infectados. “Eu queria que as pessoas falassem mais”, pediu Magaly, repetidas vezes, durante a oficina. Os presentes atenderam o apelo, tanto que houve um certo atraso no cronograma inicialmente previsto.

“Entendo que comunicação é acima de tudo o acesso à própria”, afirmou José Maria, da União Democrática de Santo André (UDESA). “A comunicação tem que ser objetiva. A comunicação também é confiança”, avaliou. “Se for uma informação do Ministério da Saúde, você precisa confiar no trabalho do ministério”, exemplificou o ativista da UDESA.

“O próprio Programa Nacional [de DST/Aids], a gente já não tem confiança. Porque uma hora tem medicamento, outra hora não tem. As informações são desencontradas”, avaliou mais tarde Alberto Andreoni, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com Aids (RNP+), em resposta ao exemplo utilizado pelo ativista da UDESA.

De acordo com Maria Luiza, presidente da Casa de Apoio Brenda Lee, comunicação é “sensibilidade”. “A comunicação permeia a vida de todos nós. É o recurso que nós, seres humanos, temos para nos relacionar”, explicou Maria Luiza em sua breve exposição. Edson Lázaro dos Santos, outro ativista da RNP+, concordou com a avaliação inicial de Magaly Pazello, da ONG Cris Brasil. “Uma informação que foi passada pra mim, você pode entender de uma forma, eu posso entender de outra”, disse.

Durante a oficina, que continua durante a tarde desta sexta-feira (23/03), uma equipe da TV Record entrevistou alguns dos ativistas presentes ao evento. Eles tiveram de se ausentar (por alguns minutos) da roda formada pelos representantes da sociedade civil no auditório do quinto andar do Hotel Excelsior, no centro da capital paulista.

As perguntas formuladas pelo repórter da televisão de propriedade do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, se referiam às posições conservadoras do Papa Bento XVI em questões ligadas a sexualidade, sobretudo os preservativos.

“A Igreja já pediu desculpas em relação ao holocausto [o assassinato em massa de judeus durante a Segunda Guerra, sobre o qual a Igreja Católica já admitiu ter se omitido]. Será que a Igreja vai ter de pedir desculpas de novo”, indagou o ativista Marcelo Gil em relação a proibição, por parte do Vaticano, da utilização da camisinha pelos seus fiéis.

Marcelo Gil, um dos entrevistados na manhã desta sexta-feira (23/03) pela TV Record, é representante da Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual (ABCDS), ONG da região metroplitana de São Paulo.

Léo Nogueira

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