COMUNICAÇÃO DEVE SER INSTRUMENTO SOCIAL PARA POPULAÇÕES DIFERENTES, AVALIAM JORNALISTAS NO COMUNICAIDS

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

22/3/2007 – 22h

“Na saúde, as ações devem levar em consideração as especificidades da população atingida”, disse o consultor na área de sociedade civil do Programa Nacional de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Liandro Lindner. A discussão sobre o papel da comunicação em diferentes locais permeou as discussões na tarde desta quinta-feira no Comunicaids, em São Paulo. Jornalistas que trabalham em programas municipais de DST/Aids apresentaram o funcionamento de seus programas de comunicação social no evento, realizado pelo Gapa em parceria com a RNP+. Eles afirmaram que os órgãos governamentais não devem ser apenas um pólo emissor de informações, mas sim realizar trabalhos de troca com a sociedade em que atuam, em pequenas ou grandes cidades. Segundo eles, as grandes aliadas são as rádios comunitárias.

Para o jornalista Liandro Lindner, o conceito comunicação é um “processo de ação recíproca, de troca, e aprendizado num ambiente contextual”. Segundo ele, pelo menos 30% das pessoas com HIV podem possuir co-infecção por algum tipo de hepatite.

Uma das participantes da platéia informou que há dois anos verificou uma propaganda sobre hepatites na TV e procurou postos de saúde para fazer teste, mas sua tentativa foi sem sucesso. “Essa foi a única campanha até hoje produzida para hepatites e mesmo assim houve confusão porque alguns interpretaram que havia uma chamada para toda a população realizar o teste, quando na realidade tinha como prioridade pessoas que receberam transfusão sangüínea antes de 1993”, disse Lindner, que defendeu uma maior equidade de informações na sociedade e um trabalho maior com populações específicas.

Depois, a coordenadora de Comunicação e Saúde do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Alessandra Ximenes, disse que a comunicação deve servir para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o SUS. “O que impera atualmente é a comunicação de transmissão que tem um pólo receptor, quando na verdade ela deve ser democrática e com mais fluxos”, defendeu.

De acordo com ela, uma das iniciativas realizadas pelo conselho foi o cadastramento dos conselhos estaduais e municipais de saúde em um banco de dados, no site www.conselho.saude.gov.br, o que permitiu um maior ‘diálogo’. “Um dos desafios agora é fazer com que o tema comunicação e suas estratégias seja um tema de pauta mais trabalhado em todos os conselhos do País”, declarou Ximenes. Para isso, ela disse que um outro projeto do CNS, ainda ‘incipiente’, é a inclusão digital de todos os conselheiros de saúde na internet.

Para ela, um dos grandes desafios é atuar junto e fazer com que a sociedade civil participe das políticas de estratégias em comunicação, seja em nível nacional ou mesmo local.

Municípios e rádios comunitárias

No evento da tarde desta quinta, Eli Fernandes, assessor de imprensa do Programa Municipal de Campinas, e Célia Regina de Souza, jornalista do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo marcaram presença ao afirmarem que desenvolvem programas de comunicação com as sociedades em que atuam.

“Ser um comunicador em saúde é ter sensibilidade. Nós, da área de comunicação em Campinas, trabalhamos dentro do CRT que atende à população local e não num prédio separado, como ocorre em alguns setores públicos”, disse Fernandes.

Segundo o assessor de imprensa, o tema Aids é fácil de ser inserido, se o viés de um fato for trabalhado de forma sensacionalista. “Mas em caráter mais sério, é difícil e mesmo assim conseguimos todos os dias alguma notícia sobre o tema na mídia local”, afirmou.

Eli Fernandes informou que a assessoria de imprensa Programa Municipal de Campinas é também pautada pelo Conselho de Saúde local e também possuem parceria com 15 emissoras de rádio.

Célia Regina de Souza, então, relembrou que as rádios comunitárias são boas aliadas do Programa Municipal de São Paulo. “Já trabalhamos junto com prostitutas para produzir material de rádio. Afinal, se elas visitam uma emissora e levam apenas um folheto, isso não rende. Mas quando uma rádio comunitária recebe um material do governo, sente-se valorizada e divulga o trabalho como retribuição”, conta.

“Nossa tarefa é trabalhar com papel social e não podemos nos esquecer que devemos informar 11 milhões de pessoas da cidade, não somente pessoas vivendo com HIV/Aids”, acrescentou.

Souza também apresentou para platéia o material impresso, incluindo cartilha sobre prevenção para terceira idade.

Amanhã, no último dia do evento os participantes farão oficinas e irão propor encaminhamentos sobre Comunicação e Aids.

Rodrigo Vasconcellos

Apoios