Diretamente de Denver, onde acontece a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI 2026), o infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, enviou à Agência Aids um resumo dos principais destaques do segundo dia do congresso.
A programação trouxe debates relevantes sobre a saúde das pessoas que vivem com HIV para além do controle viral. Entre os temas discutidos estiveram comorbidades como obesidade e diabetes, além de estratégias para reduzir marcadores inflamatórios — uma preocupação crescente diante do envelhecimento dessa população. Estudos também avaliaram intervenções com potencial impacto em desfechos de longo prazo, como inflamação crônica e envelhecimento biológico.
Outro ponto importante foi o tratamento da infecção latente por tuberculose, com destaque para esquemas combinando rifapentina e isoniazida em regimes mais curtos e simplificados, o que pode facilitar a adesão e ampliar o acesso.
O congresso também abriu espaço para discussões sobre esteatose hepática (doença hepática gordurosa), condição cada vez mais frequente na prática clínica, especialmente entre pessoas que vivem com HIV e apresentam fatores metabólicos associados.
Encerrando o dia, ganharam destaque os antirretrovirais injetáveis de longa duração. A discussão foi além da eficácia e segurança, focando principalmente nos desafios de implementação: como incorporar essas tecnologias à prática clínica e quem, de fato, terá acesso a esses medicamentos — especialmente em países de baixa e média renda.
Segundo o Dr. Álvaro Furtado, o segundo dia reforçou a importância de olhar o cuidado em HIV de forma integral, considerando comorbidades, coinfecções e a necessidade de tornar as inovações acessíveis na vida real.
A Agência Aids segue acompanhando a CROI 2026 e publicará novos boletins com os principais avanços apresentados no congresso.



