Estadão: Como o câncer de colo do útero está associado ao HPV

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O câncer de colo do útero está fortemente associado à infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), que pode ser evitado pelo uso de preservativos

O câncer de colo de útero, também chamado de câncer cervical, é um tumor maligno que requer um longo período para se manifestar, desenvolvendo-se nas células da parte mais inferior do órgão.

Em 2023 foram estimados 17.010 casos novos, o que representa um risco de 13,25 casos a cada 100 mil mulheres. Em 2020, por outro lado, a taxa de mortalidade por câncer de colo de útero foi de 4,60 a cada 100 mil mulheres.

A principal causa do câncer de colo de útero é a infecção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV). Início precoce da atividade sexual, diversidade de parceiros, tabagismo e má higiene íntima são alguns fatores de risco para essa infecção sexualmente transmissível (IST).

Relação com o HPV

A maioria dos casos de câncer de colo de útero está diretamente relacionada à infecção pelo HPV, transmitido principalmente por meio do contato sexual. Essa infecção não costuma causar sintomas visíveis.

Nem todas as infecções por HPV levam ao desenvolvimento de câncer. O sistema imunológico do corpo geralmente consegue combater a infecção, mas, em alguns casos, o vírus pode persistir e provocar mudanças celulares.

Existem aproximadamente 100 variações desse vírus. A maioria causa infecções que desaparecem por conta própria em questão de meses após a exposição, e aproximadamente 90% delas se resolvem no decorrer de dois anos.

Em média, 20 tipos de HPV são de alto risco, podendo causar alterações nas células cervicais, que tendem a se tornar cancerosas ao longo do tempo.

Sintomas

Nos estágios iniciais, o câncer de colo de útero está associado a sangramento vaginal leve, especialmente após relações sexuais e aumento do corrimento vaginal.

À medida que avança, podem surgir ainda dor durante o sexo, dor nas costas, pernas ou pélvis, perda de apetite e peso, fadiga, inchaço de membros inferiores e desconforto vaginal.

Diagnóstico do câncer de colo do útero

A detecção precoce do câncer de colo do útero é fundamental, pois isso aumenta as chances de tratamento bem-sucedido. Para tanto, são realizadas uma série de etapas e exames médicos.

O diagnóstico do câncer de colo do útero é estabelecido principalmente por meio do exame histopatológico, uma análise de tecido coletado do colo do útero por biópsia. O patologista examina as células em um microscópio para identificar qualquer alteração maligna, confirmando assim a presença do câncer.

O estadiamento do câncer de colo do útero é crucial para determinar a extensão da doença e planejar o tratamento adequado. Ele leva em consideração o tamanho do tumor, a profundidade da invasão no tecido cervical e a presença ou ausência de metástases em gânglios linfáticos ou outros órgãos distantes.

Prevenção

A prevenção do câncer de colo de útero é muito importante e possível por meio de medidas simples. O uso correto de preservativos reduz a chance de transmissão do HPV e outras ISTs.

São fortemente recomendadas visitas periódicas ao ginecologista e a realização de Papanicolau, uma triagem capaz de detectar mudanças nas células cervicais antes que se tornem cancerosas.

Ainda, a vacinação contra o HPV é uma maneira eficaz de prevenir a infecção pelo vírus, reduzindo assim o risco de desenvolvimento do câncer de colo de útero.

Tratamento

O tratamento do câncer de colo do útero é altamente individualizado e depende do estágio da doença, das características da paciente e de fatores médicos específicos.

Opções de tratamento incluem cirurgia (normalmente em estágios iniciais), radioterapia (frequentemente usada antes, durante e depois da cirurgia) e quimioterapia (medicamentos normalmente usados em conjunto com a radioterapia ou após a cirurgia).

O tratamento muitas vezes envolve mais de uma estratégia combinada e é mais eficaz quando o câncer é detectado em estágios iniciais, enfatizando a importância dos exames de triagem.

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