O 6º Encontro de Organizações de Paradas LGBT+ do Estado de São Paulo começou nesta sexta-feira (20), na cidade de São Paulo, reunindo lideranças, ativistas e organizadores de todo o estado em torno de uma agenda estratégica: fortalecer as Paradas como espaços de mobilização política, articulação de direitos e resistência nas ruas. Promovido pela APOLGBT-SP, o evento segue até domingo (22), no auditório do Hotel Nacional Inn Jaraguá.
A abertura, realizada no fim da tarde de sexta, marcou o tom político do encontro, com a presença de lideranças institucionais e a defesa do papel das Paradas LGBT+ como instrumentos de disputa de narrativa, visibilidade e incidência em políticas públicas. Ao longo do primeiro dia, mesas discutiram experiências internacionais — com destaque para o Reino Unido — e o papel do Legislativo no apoio às Paradas do Orgulho, evidenciando os desafios e as possibilidades de ampliação dessas iniciativas no Brasil.
Mas é neste sábado (21) que um dos momentos mais simbólicos do encontro ganha centralidade: o lançamento do Fórum São Paulo de Travestis e Transexuais – Brunna Valin. O espaço surge como uma articulação política voltada especificamente à população trans, em um contexto de aumento da violência, exclusão e vulnerabilidade social.

Ao colocar o Fórum Brunna Valin no centro da programação, o encontro explicita uma mudança de foco e prioridade dentro do próprio movimento: fortalecer vozes historicamente marginalizadas e garantir que travestis e pessoas trans estejam não apenas representadas, mas liderando processos políticos. A iniciativa busca consolidar um espaço permanente de diálogo, incidência e construção coletiva de estratégias voltadas à cidadania e aos direitos dessa população.
A programação deste sábado também inclui debates sobre democracia, resistência e intervenção cultural, além de oficinas práticas sobre organização das Paradas, captação de recursos e comunicação política — temas considerados essenciais para sustentar e expandir as mobilizações em diferentes territórios do estado.
Outro destaque é a parceria internacional com o British Council, responsável por apresentar o projeto “Five Films For Freedom”, que integra a programação cultural do evento com exibições audiovisuais voltadas à diversidade e aos direitos humanos.
No domingo (22), o encontro se volta para o futuro: uma mesa dedicada a projetar os próximos passos das Paradas LGBT+ no estado de São Paulo antecede o encerramento oficial, que inclui a sistematização das discussões e a construção de uma carta política coletiva.
Mais do que um espaço de troca, o encontro se afirma como um território de disputa e reorganização do movimento LGBT+ paulista. Em um cenário de tensões políticas e retrocessos em direitos, as Paradas deixam de ser apenas eventos festivos e se consolidam, cada vez mais, como plataformas estratégicas de mobilização social — agora, com o Fórum Brunna Valin emergindo como um dos seus novos e mais potentes eixos de articulação.
Redação da Agência de Notícias da Aids




