
Na semana passada, com a posse do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, diversas mudanças na equipe do ministério começaram a ser discutidas. Uma dessas mudanças envolve a Assessoria de Políticas de Inclusão, Diversidade e Equidade em Saúde, anteriormente ocupada pela farmacêutica, sanitarista e epidemiologista Alícia Krüger, que se identifica como travesti. A possibilidade de sua saída gerou uma onda de manifestações de apoio e pedidos para que sua permanência seja garantida.
Alícia, profissional amplamente reconhecida na área da saúde pública, tem uma trajetória marcada pelo compromisso com políticas inclusivas e voltadas para a população LGBTQIA+, em especial para pessoas trans e travestis. Seu trabalho tem sido essencial na ampliação das políticas de saúde voltadas para a população trans, com destaque para a revisão do Processo Transexualizador e na formulação do PAES POP Trans.
No entanto, apesar de sua experiência e dedicação, ela nunca ocupou formalmente um cargo no Ministério da Saúde, o que tem sido apontado pelos movimentos sociais como um reflexo da falta de valorização de profissionais trans em posições estratégicas na administração pública.
Diante desse cenário, diversas entidades publicaram notas de apoio à profissional, destacando sua relevância na construção de políticas públicas voltadas à equidade em saúde. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), por exemplo, reforçou a importância de sua permanência e enviou um ofício ao ministro Padilha solicitando o reconhecimento institucional de sua atuação.
Outras organizações da sociedade civil também se manifestaram, como a Rede Brasileira de Pessoas Intersexo, que enfatizou a necessidade de profissionais qualificados para garantir políticas de saúde inclusivas e equitativas. Além disso, o Mapeamento PopTrans, a ONG Mães da Resistência, a Aliança Nacional LGBT e o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (INAMUR) se somaram ao coro de apoio, destacando o impacto positivo da trajetória de Alícia Krüger na formulação de estratégias em saúde para a população LGBTQIA+.
A co-deputada estadual de São Paulo pela Bancada Feminista do PSOL, Carol Iara, também se manifestou. “Ministro @padilhando pedimos que o programa de saúde trans, Paes Pop Trans seja publicado pelo Ministério da Saúde após longa espera e desencontros, e também que a travesti responsável pela articulação LGBTI, Alícia Krüger, permaneça em sua função. Vidas trans importam! Axé ministro”, publicou em seu perfil oficial no Instagram.
Em um vídeo emocionante nas redes sociais, Alícia Krüger compartilhou sua trajetória, falou sobre os desafios enfrentados com a saúde mental e reforçou a importância da inclusão de pessoas trans nos espaços de decisão pública.
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“Espero do Ministério da Saúde a valorização de todas as pessoas trans que atuam lá. Quando falo em valorização, refiro-me ao respeito aos direitos trabalhistas e sociais, à dignidade e ao reconhecimento. Que a travesti que estiver à frente da saúde trans tenha o poder necessário para tomar as melhores decisões em parceria com a sociedade civil”, disse Alícia em entrevista à Agência Aids.
A pressão pública agora recai sobre o Ministério da Saúde e sobre o ministro Alexandre Padilha, que deverá decidir sobre a manutenção ou não da profissional em sua equipe. A mobilização segue forte, e entidades e ativistas esperam que a voz da sociedade civil seja ouvida para garantir que a expertise de Alícia Krüger continue a serviço do Sistema Único de Saúde e da população LGBTQIA+.
Outro lado
Em resposta à Agência Aids, o Ministério da Saúde informou que continua valorizando o diálogo aberto com os diferentes movimentos sociais que atuam na área de saúde; Tem grande apreço pelo trabalho realizado pela Alícia Krüger como assessora de Políticas de Inclusão, Diversidade e Equidade na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e que não existe intenção de descontinuar o trabalho que vem sendo coordenado/realizado por ela; Continua valorizando a promoção de políticas inclusivas voltadas à promoção da saúde e bem-estar da população LGBTQIA+, inclusive as que se referem especificamente à população trans.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dicas de entrevista
Alícia Krüger
Instragram: alicinhakruger
Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde
Tel.: (61) 3315-3853



