
A galeria de arte Tate Modern, um dos principais centros culturais do Reino Unido, abriu suas portas para uma comovente exposição que presta tributo às vidas interrompidas pela epidemia de aids. A mostra apresenta a maior exibição já realizada no país da Colcha em Memória da Aids do Reino Unido (UK Aids Quilt), composta por 42 grandes painéis de tecido, cada um reunindo homenagens costuradas à mão por amigos e familiares de pessoas que morreram em decorrência da doença.
A visita à exposição, realizada no dia 16 de junho, contou com a presença especial da vice-diretora executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Christine Stegling. Diante das dezenas de homenagens bordadas, Stegling descreveu a experiência como “bela e sombria em igual medida”. “Lembrei-me da perda que todos nós vivenciamos. Dos tempos sombrios dos quais viemos”, disse ela.
Criada inicialmente nos Estados Unidos na década de 1980, a ideia das colchas de retalhos surgiu como uma resposta simbólica e afetiva à exclusão e ao estigma enfrentados por pessoas que morreram de aids. Muitas vezes rejeitadas por suas famílias ou impossibilitadas de terem funerais tradicionais devido ao medo e à discriminação, suas histórias passaram a ser contadas por meio de retalhos personalizados, costurados com carinho por quem ficou.
Além de relembrar os desafios históricos, a exposição lança luz sobre as conquistas e os entraves atuais da resposta global à epidemia. Atualmente, cerca de 30 milhões das 40 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo estão em tratamento antirretroviral, um avanço significativo se comparado às décadas anteriores. No entanto, o estigma e a discriminação persistem como barreiras graves ao acesso à saúde e aos direitos fundamentais.
Durante sua missão oficial ao Reino Unido, Stegling também discursou na Recepção do Orgulho Gay da União Interparlamentar do Grupo Britânico, onde alertou para os impactos negativos dos recentes cortes no financiamento internacional à resposta à aids. Segundo ela, reduções significativas nos repasses dos Estados Unidos e do Reino Unido já começam a comprometer décadas de progresso, especialmente nos serviços liderados por comunidades LGBTIQ+.

“Esses foram os primeiros serviços a perder financiamento”, destacou, referindo-se a projetos comunitários que atuam diretamente com populações vulneráveis ao HIV. O Unaids estima que, sem a recomposição dos fundos, o mundo poderá registrar até 6,6 milhões de novas infecções por HIV e 4,2 milhões de mortes relacionadas à aids.
Apesar do cenário preocupante, a vice-diretora reforçou sua crença no poder da ação coletiva. “Acabar com a aids não é mais uma aspiração — é algo alcançável”, afirmou, pedindo que o Reino Unido retome sua liderança histórica na resposta à epidemia. Para ela, “liderança comunitária, compaixão, coragem — e solidariedade — é isso que funciona”.

A presença de Christine Stegling na Tate Modern e nos espaços parlamentares durante o Mês do Orgulho reitera o chamado urgente do Unaids para que governos, instituições e sociedade civil redobrem seus compromissos com o enfrentamento da aids. A exposição da UK Aids Quilt não é apenas uma homenagem: é também um lembrete contundente de que memória, justiça e investimento caminham lado a lado na luta por um futuro livre da aids.
Redação da Agência da Aids com informações do Unaids


