Coinfecção por HIV aumenta risco de hospitalização por mpox, aponta estudo internacional

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Uma revisão sistemática e meta-análise publicada recentemente na revista BMC Infectious Diseases revela que pessoas vivendo com HIV correm um risco significativamente maior de hospitalização por complicações graves da mpox. A pesquisa reforça a urgência de estratégias de prevenção e tratamento específicas para essa população vulnerável.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Chandigarh e da Universidade Lovely Professional, na Índia, analisou 14 estudos publicados entre 2023 e 2024, abrangendo dados de pacientes na Europa, América do Norte, América do Sul e outras regiões. Os resultados apontam que a coinfecção por HIV está associada a um risco 56% maior de hospitalização por mpox grave, quando comparada a pessoas sem HIV.

“Este estudo destaca a necessidade de comunicações e intervenções de saúde direcionadas para prevenir e controlar surtos de mpox, especialmente em populações com alta prevalência de HIV”, afirmam os autores.

Dados e metodologia

A análise incluiu estudos com tamanhos amostrais variando de 100 a mais de 53 mil pacientes, com idades médias entre 32 e 40 anos. A maioria dos trabalhos analisados teve delineamento retrospectivo, enquanto os demais envolveram coortes transversais, análises de dados de vigilância e estudos caso-controle.

Inicialmente, a razão de risco (RR) encontrada foi de 1,391, com intervalo de confiança que beirava a significância estatística. No entanto, uma análise de sensibilidade — que excluiu um estudo europeu com resultados discrepantes — apontou uma associação ainda mais forte: RR de 1,566, com intervalo de confiança entre 1,180 e 2,077, e significância estatística (P=0,005).

Apesar da robustez dos achados, os pesquisadores alertam para algumas limitações, como a dependência de estudos observacionais, a heterogeneidade entre os dados e a exclusão de publicações não disponíveis em inglês.

Avanço da mpox preocupa

Desde 2022, a mpox tem sido detectada em regiões sem histórico da doença, chamando a atenção de autoridades de saúde pública em todo o mundo. Embora a infecção geralmente seja autolimitada, pode causar complicações graves em pessoas imunocomprometidas — especialmente aquelas que vivem com HIV sem tratamento adequado.

A nova análise reforça a importância de monitorar de perto essa população durante surtos e de garantir o acesso equitativo a cuidados de saúde, incluindo vacinação, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes.

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