CineSesc marca o Dia Mundial de Luta contra a Aids com sessão sobre cinema e HIV

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Imagem de divulgação do filme “As Testemunhas”

No 1° de dezembro, o Projeto Contato promove exibição do longa “As Testemunhas” e do curta “Longevidade Posithiva”, de Victor Bebiano.

O Dia Mundial de Luta contra a Aids será marcado por uma programação especial no CineSesc, em São Paulo. A atividade integra o Projeto Contato, iniciativa do Sesc São Paulo que, ao longo de novembro e dezembro, conecta arte, saúde sexual e enfrentamento ao estigma por meio de bate-papos, performances e ações culturais que valorizam a diversidade de corpos e experiências.

Como parte dessa agenda, o CineSesc exibe nesta segunda-feira (1º), às 19h30, o curta Longevidade Posithiva, do diretor Victor Bebiano, seguido do longa francês As Testemunhas (2007), de André Téchiné. A proposta é revisitar como o cinema retratou o HIV desde os anos 1980 e refletir sobre as narrativas contemporâneas que ressignificam o viver com o vírus.

Cinema, memória e construção de narrativas

A escolha do longa de Téchiné não é casual: situado em 1984, As Testemunhas acompanha os primeiros anos da epidemia, quando o HIV ainda era pouco conhecido e cercado de medo. Já Longevidade Posithiva desloca esse olhar para o presente, trazendo ao centro pessoas que envelhecem vivendo com HIV e reivindicando novas formas de existir.

Segundo Victor Bebiano, trabalhar com audiovisual é também uma forma de disputar narrativas.

“O audiovisual é a maior arma contra o estigma e o preconceito. É através dele que a gente chega em milhares de pessoas. O cinema é a minha forma de ativismo”, afirma.

Victor Bebiano, diretor do curta-metragem “Longevidade Posithiva”, em seu Instagram.

Ele lembra que, durante muito tempo, as imagens produzidas sobre HIV reforçaram medos e distorções.

“A demonização do HIV se deu muito através dos produtos audiovisuais feitos nos anos 80. Reportagens, revistas, filmes que colocavam a gente como uma peste”, explica. Participar de uma atividade como esta, diz ele, é uma chance de devolver complexidade e humanidade às histórias de quem vive com o vírus.

A combinação do longa e do curta cria um diálogo entre duas épocas marcantes da resposta ao HIV. Enquanto As Testemunhas revisita o início da epidemia, quando a desinformação moldava medos e perdas, Longevidade Posithiva desloca o olhar para o agora, mostrando pessoas que envelhecem com HIV, constroem futuro e reescrevem o imaginário sobre o que significa viver com o vírus. Essa passagem do passado para o presente ajuda o público a entender como as narrativas mudaram e como o cinema continua sendo um espaço central para refletir, lembrar e avançar.

Poster de divulgação do curta

Dezembro Vermelho e a importância de enxergar o presente

“Esse filme é atemporal: serve para a pessoa 50+ e para a pessoa recém-diagnosticada, que ainda teme a morte por falta de informação”, diz.

A proposta da noite, segundo o Sesc, é olhar para o passado sem perder de vista as urgências do presente, do envelhecimento com HIV às novas formas de prevenção, da luta por acesso ao tratamento à necessidade de combater o estigma em todas as idades.

Serviço

As Testemunhas + curta “Longevidade Posithiva”

Data: 1º de dezembro (segunda-feira)

Horário: 19h30

Local: Sala de Exibição – CineSesc

Entrada: Grátis (retirada de ingressos 1h antes da sessão)

Vinícius Monteiro (vinicius@agenciaaids.com.br)

Estagiário em Jornalismo na Agência Aids

Edição: Talita Martins

Dicas de entrevista:

Sesc São Paulo: sescsp.org.br

Apoios