Com entrada gratuita, mostra promovida pelo Grupo Pela Vidda São Paulo ocupa o Cine Teatro do Parque nesta terça e quarta-feira, 4 e 5 de agosto, com filmes sobre HIV, Aids, direitos humanos, longevidade, indetectabilidade e estigma
O HIV também tem uma história contada pelas telas. Uma história atravessada pelo medo e pelo estigma, mas também pela resistência, pelo afeto, pela ciência e pelas transformações que mudaram a vida de milhões de pessoas nas últimas décadas. É esse percurso que chega ao cinema em Recife nesta terça e quarta-feira, 4 e 5 de agosto, durante a 14ª edição da Cinema Mostra Aids.
Promovida pelo Grupo Pela Vidda São Paulo, a mostra será realizada no Cine Teatro do Parque, das 18h às 22h, com entrada gratuita. A programação reúne produções de diferentes períodos para discutir HIV, aids, prevenção, direitos humanos, diversidade, longevidade e enfrentamento ao preconceito.
Mais do que exibir filmes sobre HIV e Aids, a iniciativa aposta no audiovisual como instrumento para enfrentar narrativas que, mesmo mais de quatro décadas depois do início da epidemia, continuam cercadas por preconceito e desinformação.
Na tela, estarão questões centrais da resposta contemporânea ao HIV: viver e envelhecer com o vírus, enfrentar o estigma e compreender conquistas proporcionadas pelo tratamento. Entre elas está uma das mensagens mais importantes da ciência atual: uma pessoa vivendo com HIV, em tratamento e com carga viral indetectável, não transmite o vírus por via sexual — princípio conhecido como Indetectável=Intransmissível (I=I).
Cinema para provocar reflexão
A Cinema Mostra Aids nasceu em 1997 e chega à 14ª edição mantendo sua proposta de utilizar produções audiovisuais para provocar reflexões sobre HIV, Aids, prevenção, direitos humanos, estigma e diversidade.
O cinema tem uma força particular nessa história. Se imagens ajudaram a alimentar estereótipos e medo nos primeiros anos da epidemia, elas também se tornaram ferramentas para desconstruir preconceitos e dar rosto, voz e história às pessoas que vivem com HIV.
Nesta terça-feira (4), a programação começa com “Eu Sou Um Cartaz HIV Positivo”, de 2015, com 27 minutos. Em seguida, será exibido “Longevidade Posithiva”, de 2024, com seis minutos. A primeira noite termina com “Deus Tem AIDS”, longa de 2021, com 82 minutos.
Na quarta-feira (5), será exibido “Indetectável, Intransmissível: O Futuro da Aids”, de 2023, com 30 minutos, seguido por “Entre Idas e Vindas”, de 2026, com 20 minutos. “Deus Tem AIDS” volta à programação para encerrar a mostra.
Da sobrevivência à longevidade
As obras também revelam uma das maiores transformações provocadas pela ciência na história da epidemia. Para quem tem acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento adequado, viver com HIV deixou de significar a perspectiva de uma morte precoce.
Hoje, falar sobre HIV significa também discutir longevidade, qualidade de vida, sexualidade, relações afetivas, saúde integral e envelhecimento. Mas antigos obstáculos permanecem. Preconceito, discriminação e desinformação ainda afastam pessoas da testagem, da prevenção e dos serviços de saúde.
Os medicamentos avançaram, as estratégias de prevenção se multiplicaram e o conhecimento científico mudou radicalmente. O estigma, entretanto, não desapareceu na mesma velocidade.
É justamente nesse encontro entre avanço científico e transformação social que a Cinema Mostra Aids mantém sua atualidade.
Histórias contra o estigma
Ao chegar à 14ª edição, a mostra reafirma uma ideia que acompanha a resposta brasileira ao HIV: informação também é prevenção, cultura também pode produzir saúde e combater o estigma é parte fundamental do enfrentamento à epidemia.
Ao levar essa discussão para uma sala de cinema, o Grupo Pela Vidda São Paulo amplia os espaços onde o HIV pode ser debatido — não apenas a partir da doença, mas das vidas, dos afetos, dos direitos e das transformações sociais que fazem parte dessa história.
Durante dois dias, em Recife, essas histórias ocuparão a tela grande para lembrar que, por trás de cada diagnóstico, cada avanço científico e cada estatística da epidemia, existem pessoas cujas vidas jamais podem ser reduzidas ao HIV.
Serviço
14ª Cinema Mostra Aids
Dias 4 e 5 de agosto, das 18h às 22h, no
Local: Cine Teatro do Parque, em Recife
Entrada gratuita



