Cientistas tentam replicar tratamento que teria curado HIV em paciente de Berlim

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27/09/14 – 10h30 

Uma equipe médica de Atlanta, nos Estados Unidos, testou em animais um tratamento experimental para tentar replicar o processo pelo qual passou Timothy Ray Brown, conhecido como o paciente de Berlim, a única pessoa que  teria se curado do HIV (vírus da aids) até hoje. As conclusões, publicadas na revista "Plos Pathongens", apontam para a influência, embora não definitiva, da quimioterapia.

A equipe apurou a contribuição que a radiação teve no processo ao qual Brown foi submetido, em 2007, para eliminar as células afetadas pelo vírus.

O caso do paciente de Berlim é único no mundo. Após diagnosticá-lo com HIV, os médicos detectaram uma leucemia mieloide aguda, tipo de câncer que afeta o sistema imunológico.

Além do tratamento com retrovirais, Brown foi submetido a radiações de quimioterapia e radioterapia, e recebeu um transplante de medula óssea de um doador com uma mutação que suprime a função do gene CCR5, codificador da proteína que facilita a entrada do HIV nas células humanas.

Após o tratamento, o paciente se curou da leucemia e teve seus níveis de HIV reduzidos a uma quantidade quase indetectável.

Teste com macacos

Três macacos foram submetidos ao mesmo processo que Brown, para investigar como o tratamento do câncer pode ter influenciado a redução do HIV. Depois, eles foram tratados com antirretrovirais, submetidos à radioterapia e receberam um transplante de células-tronco de sua própria medula óssea antes que fossem infectados.

Os pesquisadores descobriram que a radiação acabou com a maioria de suas células afetadas, incluindo entre 94% e 99% das células-tronco do tipo denominado CD4, alvo principal da infecção por HIV no sangue, que contém o receptor CCR5.

No entanto, ao deixar de administrar os antirretrovirais, dois dos três os animais voltaram a desenvolver o vírus a níveis anteriores. O terceiro sofreu uma insuficiência renal e teve que ser sacrificado. Na autópsia, verificaram que ainda tinha sinais do vírus nos tecidos, comprovando que nenhum dos três se curou totalmente.

O estudo sustenta a ideia de que, embora não seja suficiente para eliminar o vírus, a radiação pode reduzir os níveis de HIV, apesar de ressaltar a importância que teve a mutação da doadora de medula no caso do paciente de Berlim.

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