19/10/2014 – 12h40
O cientista português Fernando Garces Ferreira Fernando Garces Ferreira, do The Scripps Research Institute (TSRI), nos Estados Unidos, liderou uma investigação para perceber como pessoas infectadas pelo HIV desenvolveram anticorpos para enfrentar o vírus e sugere uma vacina "feita à medida" para as diferentes fases de resistência do organismo.
"Conseguimos determinar todos os passos de uma família de anticorpos desde o início, até à forma em que é mais eficiente contra o vírus e conseguimos fazer o mapeamento das zonas do vírus que são importantes para o desenvolvimento destes anticorpos", disse o pesquisador sobre seu trabalho, publicado na revista “Cell”.
O investigador e a sua equipa propõem uma vacina que tem de ser feita à medida para os diferentes passos, “para que se possa guiar o desenvolvimento do anticorpo numa determinada direcção". O objetivo, disse o cientista, é "tentar ensinar o sistema imunitário de pessoas saudáveis, não infectadas com HIV, a produzirem esses anticorpos para que, na eventualidade de uma infecção, o sistema esteja preparado para ter uma resposta rápida e eficiente".
"Todos temos a possibilidade de desenvolver esses anticorpos, mas é preciso guiar o sistema imunitário a desenvolvê-los. Por isso, provavelmente, temos de dar ao organismo diferentes vacinas", defendeu Fernando Garces Ferreira.
"Até agora, quando o anticorpo maduro se une ao vírus, desenhamos a parte viral e é essa parte que injetamos no organismo e vamos ver se o sistema imunitário consegue reproduzir a criação desse mesmo anticorpo", explicou. O que falhava, disse, era que, até esse ponto final, "há muitos outros processos desenvolvidos" que, se não forem considerados, impedem que se chegue ao anticorpo final, capaz de enfrentar o HIV, um vírus "muito sofisticado".
A família de anticorpos objeto do estudo foi descoberta há alguns anos num doente com HIV e chegou-se à conclusão de que 10 a 15% dos doentes, passados alguns anos, desenvolvem anticorpos "extremamente potentes" na neutralização do vírus. O problema é que esses anticorpos "já chegam tarde porque o vírus já está instalado e, uma vez o HIV instalado no corpo, é impossível remove-lo", continuou Fernando.


