Ciência, participação social e formação médica: São Judas leva estudantes à Aids 2026 para contribuir com as respostas globais ao HIV

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A Universidade São Judas Tadeu (USJT), campus Cubatão, levará cerca de 25 estudantes de Medicina à 26ª Conferência International de Aids (Aids 2026), formando uma das maiores delegações universitárias brasileiras presentes no evento. Mais do que acompanhar a programação científica, os alunos participarão ativamente da organização de atividades, da construção de espaços de educação popular e de iniciativas internacionais voltadas ao enfrentamento do HIV, em uma experiência que aproxima ensino, pesquisa, participação social e cooperação internacional.

A iniciativa integra uma proposta pedagógica idealizada e coordenada pela educadora e artivista Fabi Mesquita, docente da USJT e especialista em juventudes, comunicação em saúde e direitos humanos. Concebida ao longo do semestre letivo, a experiência busca aproximar os futuros médicos dos espaços onde ciência, políticas públicas, movimentos sociais e organismos internacionais constroem, de forma conjunta, respostas para alguns dos principais desafios contemporâneos da saúde pública.

Com trajetória consolidada na formação de juventudes, Fabi foi uma das idealizadoras da Formação de Jovens Lideranças para o Controle Social do SUS no âmbito do HIV, iniciativa reconhecida nacionalmente por fortalecer a participação juvenil nas políticas públicas de saúde. Também participou da criação do Ocupe SUS Juventudes, articulação que reúne movimentos sociais, universidades, pesquisadores, gestores e organizações da sociedade civil em defesa do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em vez de limitar a participação dos estudantes à assistência de conferências e à apresentação de trabalhos científicos, a proposta amplia essa experiência para os espaços onde são debatidas políticas públicas, compartilhadas experiências comunitárias e construídas estratégias internacionais de enfrentamento ao HIV.

Durante a conferência, os estudantes atuarão como voluntários da International Aids Society (IAS) nas atividades oficiais da Aids 2026 e também integrarão as equipes da Global Village, colaborando com a Tenda Paulo Freire Ana Carolina Menezes, de Educação Popular em Saúde, e com a Estação Ocupe SUS Juventudes.

Nesse contexto, participarão da concepção, organização e mediação de mesas, oficinas e rodas de conversa sobre temas como dignidade menstrual, saúde da população trans, sexualidade, prevenção combinada, redução de danos, chemsex, juventudes e cuidado integral. A programação inclui ainda atividades que aproximam arte, cultura, comunicação e medicina como ferramentas de promoção da saúde, enfrentamento do estigma e fortalecimento das respostas comunitárias à epidemia.

Criado sob o princípio “Por nós, para nós”, o Ocupe SUS Juventudes reúne pesquisadores, estudantes, gestores, profissionais de saúde e organizações da sociedade civil para fortalecer o protagonismo juvenil na formulação das políticas públicas de saúde. Em uma perspectiva antirracista, feminista e comprometida com os direitos humanos, o coletivo promove o diálogo entre universidade, SUS e comunidades, valorizando o conhecimento produzido nos territórios e ampliando a participação das populações historicamente excluídas das decisões sobre a própria saúde.

A escolha da Tenda Paulo Freire Ana Carolina Menezes também carrega um profundo significado simbólico. Ana Carolina foi uma jovem negra, periférica e vivendo com HIV por transmissão vertical, cuja trajetória foi marcada por sucessivas violações de direitos e falhas no acesso ao cuidado. Ao longo da vida, enfrentou a sorofobia, o racismo, a pobreza e a invisibilização do sofrimento psíquico, evidenciando como preconceitos estruturais continuam determinando quem recebe acolhimento, quem tem sua dor legitimada e quem permanece à margem dos serviços de saúde. Sua história tornou-se símbolo da urgência de respostas capazes de integrar ciência, direitos humanos e justiça social no enfrentamento da epidemia.

Para a educadora da USJT, Fabi Mesquita, a homenagem sintetiza um dos principais objetivos da experiência formativa construída com os estudantes.

“Hoje, muitos dos obstáculos para controlar a epidemia já não estão nas tecnologias de prevenção ou tratamento. Esses avanços transformaram profundamente a resposta ao HIV. Os maiores desafios estão nas barreiras impostas pelo preconceito. Sorofobia, racismo, desigualdades sociais e a deslegitimação do sofrimento psíquico continuam produzindo exclusão e afastando pessoas dos serviços de saúde. Formar médicos capazes de reconhecer essas violências e oferecer um cuidado ético, humanizado e comprometido com os direitos humanos deixou de ser um diferencial; tornou-se uma condição indispensável para responder aos desafios da saúde pública contemporânea.”

Papel relevante na conferência

Além da atuação comunitária, a presença da USJT – Medicina Cubatão na Aids 2026 será marcada por uma expressiva produção científica. Fabi Mesquita teve sete trabalhos aprovados na programação oficial da conferência, contemplando pesquisas sobre protagonismo juvenil, participação social, direitos humanos, liderança comunitária, envelhecimento de pessoas vivendo com HIV, mudanças climáticas, arte e mobilização social, além da curadoria de exposições que integram a programação cultural do evento.

Outro destaque é a aprovação do projeto “Beyond Medication: Sports and Quality of Life in HIV Care”, desenvolvido por estudantes do segundo ano de Medicina da USJT Cubatão. A iniciativa foi selecionada para integrar a programação oficial de eventos afiliados da Aids 2026, figurando entre as poucas propostas brasileiras aprovadas nessa modalidade.

O projeto amplia o debate sobre o cuidado em HIV ao discutir a atividade física como estratégia complementar para promoção da saúde, qualidade de vida e cuidado integral.

A delegação também integrará a programação do II Seminário Internacional de Chemsex, promovido pelo Instituto Multiverso. Além de acompanhar as discussões, os estudantes participarão da organização e do apoio às atividades do encontro, que reunirá especialistas brasileiros e internacionais para debater cuidado, prevenção, saúde mental, redução de danos e políticas públicas relacionadas ao uso sexualizado de substâncias.

A experiência permitirá aos futuros médicos entrar em contato com um dos temas emergentes da resposta contemporânea ao HIV, compreendendo a importância de abordagens baseadas em evidências científicas, acolhimento, direitos humanos e cuidado integral.

Segundo o diretor do campus Cubatão, Dr. Evaldo Stanislau, a iniciativa integra um projeto mais amplo de formação médica comprometido com os desafios contemporâneos da saúde.

“A participação dos nossos estudantes demonstra que formar médicos hoje significa prepará-los para compreender as dimensões biológicas, sociais, culturais e políticas do processo saúde-doença. A Aids 2026 oferece uma oportunidade única para vivenciar experiências internacionais, dialogar com diferentes realidades e fortalecer uma prática profissional comprometida com a ciência, os direitos humanos e a saúde pública.”

Ao retornarem a Cubatão, os estudantes darão continuidade às atividades desenvolvidas durante a conferência por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão na Universidade São Judas Tadeu. Entre elas está o Ecos do Rio, iniciativa voltada à disseminação dos conhecimentos adquiridos junto a estudantes, profissionais da saúde e ativistas.

Mais do que uma experiência internacional, a participação na Aids 2026 fortalece uma metodologia de formação que aproxima universidade, SUS, ciência e comunidades, preparando futuros médicos para atuar em uma realidade na qual excelência técnica, compromisso ético e responsabilidade social caminham lado a lado.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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