Fábio Mesquita revisita sua trajetória, reflete sobre o diálogo entre ciência, religião e compartilha experiências que ajudaram a transformar políticas de saúde no Brasil e no mundo.
O médico sanitarista e especialista em HIV/aids Fábio Mesquita participou de uma entrevista no Canal Angelini, conduzido pela jornalista Cristina Angelini, em uma conversa que percorreu quase quatro décadas de sua atuação na resposta à epidemia de HIV no Brasil e no mundo. O encontro teve como ponto de partida o lançamento de seu livro Diário de Bordo, obra em que compartilha experiências vividas em diferentes países e reflete sobre os desafios da saúde pública, dos direitos humanos e da prevenção.
Durante a entrevista, Mesquita relembrou sua chegada à cidade de Santos nos primeiros anos da epidemia, quando ajudou a criar o primeiro programa municipal de aids do país, referência em estratégias de prevenção, acolhimento e redução de danos. Ele também recordou momentos decisivos de sua passagem pelo Ministério da Saúde, incluindo o diálogo com lideranças religiosas sobre campanhas de prevenção e uso de preservativos.
A conversa abordou ainda sua atuação internacional na Indonésia, Filipinas, Vietnã e em países africanos de língua portuguesa, onde enfrentou desafios relacionados à epidemia em contextos culturais, políticos e religiosos diversos. Ao compartilhar essas experiências, Mesquita destacou a importância de construir pontes entre ciência, fé e políticas públicas, sempre com o objetivo de proteger vidas.
Outro tema central foi a defesa da redução de danos, estratégia que enfrentou forte resistência em seus primeiros anos, mas que se consolidou como uma das mais importantes ferramentas de prevenção ao HIV entre pessoas que usam drogas. Ao longo da entrevista, o médico também refletiu sobre os conflitos entre saúde pública, direitos humanos e conservadorismo religioso, ressaltando que muitos avanços só foram possíveis graças ao diálogo, à coragem política e ao compromisso com a dignidade humana.
A entrevista reforça a mensagem central de Diário de Bordo: a resposta ao HIV não se resume aos avanços científicos, mas envolve solidariedade, combate ao estigma, defesa de direitos e a capacidade de ouvir diferentes vozes na construção de soluções para desafios coletivos.
A entrevista completa está disponível no Canal Angelini.



