
Dois meses antes da morte do Papa Francisco I – que morreu na madrugada do dia 21, aos 88 anos – a cidade de São Paulo havia ganhado um consultório médico de atendimento exclusivo aos moradores de rua.
O local ganhou o nome de ‘Consultório do Papa’, dado pelo padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral dos Moradores de Rua da capital paulista, em razão das orientações do líder da Igreja Católica sobre o acolhimento aos carentes.
O ambulatório foi inaugurado em 19 de fevereiro pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, ao lado do próprio padre Júlio, com o objetivo de oferecer auxílio e “tratamento digno à população carente da cidade”.
No local, os moradores em situação de rua encontram médicos e enfermeiros, que fazem análise da saúde, receitam medicamentos, encaminham para especialistas, fazem curativos e aplicam vacina nas pessoas que vivem em situação de rua na capital paulista.
O espaço foi construído por doações recebidas pela Igreja Católica de fiéis admiradores do Papa Francisco e do trabalho incansável do padre Júlio em favor dos carentes.
No dia da inauguração, Dom Odilo Scherer destacou a importância do equipamento de saúde no ano jubilar de 2025 da Igreja Católica, seguindo as orientações do chamado ‘papa dos excluídos’.
“O Papa Francisco tem nos pedido que tenhamos ‘proximidade e convivência’. E aqui será um lugar em que eles serão bem-vindos e acolhidos com todo o carinho”, disse o cardeal ao Jornal o São Paulo, da Igreja Católica de SP.

O padre Júlio também destacou que a atuação conjunta da sociedade civil e profissionais da área da Saúde para construir o espaço e mantê-lo ativo.
“O Papa Francisco enfatiza que a caridade é um dos pilares essenciais do Jubileu da Esperança; expressa o amor ao próximo de forma tangível. No contexto do consultório, o atendimento médico gratuito simboliza mais do que um serviço de saúde. É um ato de solidariedade e dignidade para aqueles que mais precisam”, disse Lancellotti.
“É um projeto integrado ao SUS e específico para a população em situação de rua, com destaque para a questão do sofrimento mental”, comentou.
Em 2020, o padre Júlio narrou o telefonema que recebeu do papa Francisco orientando a ele sobre a necessidade de continuar o trabalho na Pastoral do Povo de Rua em São Paulo.
“[O Papa Francisco] Disse que não desanimem, tenham coragem e façam como Jesus fazia. Nós temos que realmente viver esse momento com solidariedade, com atenção aos mais fracos, e isso tem que ser uma tônica pra mudança da estrutura da vida que a gente tem”, contou o padre ao g1.
Como funciona
O ‘consultório do papa’ funciona na Casa de Oração localizada na Rua Djalma Dutra, 3, no bairro da Luz, Centro de São Paulo.
O espaço funciona em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), que disponibiliza os profissionais de saúde para fazerem o atendimento médico e ambulatorial do local, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), da Prefeitura de SP.

Para manter o projeto, a Pastoral do Povo da Rua pede doação de itens como luvas, máscaras, álcool em gel, sabonete líquido e toalhas de papel, por exemplo.
O ‘Consultório do Papa’ é uma das diversas iniciativas em favor da população em situação de rua acontecem na Casa de Oração, entre elas a Padaria Dom Paulo Evaristo Arns, que diariamente produz pães que são dados às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Criada pelo Vicariato Episcopal da Caridade Social, organismo que tem a missão de organizar, incentivar, orientar, acompanhar e dinamizar as pastorais, movimentos, associações, obras sociais, grupos e entidades ligadas à Igreja, a Pastoral do Povo da Rua realiza diversas ações de caritativa na cidade.
Entre as iniciativas voltadas para o atendimento da população em situação de rua também se destacam organizações como a Missão Belém, Missão Eucarística Voz dos Pobres, Arsenal da Esperança, Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, Aliança de Misericórdia e Sefras – Ação Social Franciscana.


