Cidade de São Paulo supera 90 mil cadastros para PrEP e amplia acesso à prevenção combinada do HIV

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PrEP, PEP, preservativos, testagem e tratamento fazem parte de uma estratégia que amplia as possibilidades de prevenção e permite combinar diferentes métodos de acordo com cada momento da vida

A cidade de São Paulo ultrapassou, em agosto, a marca de 90 mil pessoas cadastradas para usar a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP). O número triplicou em três anos e ajuda a mostrar uma transformação que vai além do crescimento de uma única tecnologia: hoje, prevenir o HIV envolve diferentes possibilidades, que podem ser escolhidas e combinadas de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Na capital paulista, a PrEP já pode ser acessada em serviços de saúde, ações realizadas nas ruas, teleconsultas e até em máquinas instaladas em estações do metrô. Essa diversidade está no centro da chamada prevenção combinada do HIV.

O nome pode parecer técnico, mas a ideia é simples: pessoas diferentes vivem relações, práticas sexuais e momentos de vida diferentes. Por isso, não existe uma única estratégia de prevenção que funcione da mesma maneira para todos.

Preservativos continuam importantes. Mas hoje estão ao lado da PrEP, da PEP, dos testes rápidos e autotestes e do tratamento antirretroviral, que também impede a transmissão sexual do HIV quando a pessoa mantém a carga viral indetectável.

O Ministério da Saúde define a prevenção combinada como o uso articulado de estratégias biomédicas, comportamentais e estruturais, considerando as necessidades e circunstâncias de cada pessoa.

PrEP: proteção antes da exposição

A PrEP utiliza medicamentos antirretrovirais para impedir que o HIV estabeleça uma infecção caso a pessoa seja exposta ao vírus.

Ela é destinada a pessoas que não vivem com HIV e pode ser utilizada diariamente ou, para quem tem indicação, sob demanda.

Na modalidade diária, o medicamento é tomado continuamente. Já a PrEP sob demanda segue o esquema conhecido como 2+1+1, com doses tomadas antes e depois da relação sexual.

Como essa modalidade não é indicada para todas as pessoas, a escolha deve ser feita com orientação de um profissional de saúde.

Na cidade de São Paulo, o acesso deixou de ficar restrito aos serviços especializados. Além da Rede Municipal Especializada em IST/Aids, existem estratégias como o PrEP na Rua, o CTA da Cidade e o SPrEP, canal de atendimento online.

PEP: prevenção depois de uma possível exposição

Quando a possível exposição ao HIV já aconteceu, existe a Profilaxia Pós-Exposição, a PEP.

Ela pode ser indicada após uma relação sexual sem preservativo, rompimento da camisinha, violência sexual ou determinados acidentes com material biológico.

Nesse caso, o tempo é fundamental: a PEP deve ser iniciada o mais rápido possível e, no máximo, até 72 horas após a exposição. O tratamento dura 28 dias.

Na cidade de São Paulo, além dos serviços especializados, a PEP pode ser encontrada em unidades de urgência e emergência, incluindo serviços que funcionam 24 horas.

Preservativo continua sendo prevenção

A chegada da PrEP e da PEP não tornou os preservativos ultrapassados. Os preservativos interno e externo continuam tendo um papel importante e apresentam uma vantagem adicional: também ajudam a prevenir outras infecções sexualmente transmissíveis.

Eles podem ser usados sozinhos ou combinados com outros métodos. O gel lubrificante também faz parte da prevenção combinada, ao diminuir o atrito e o risco de pequenas lesões durante as relações sexuais.

A lógica não é substituir uma estratégia por outra, mas ampliar possibilidades.

Testagem também faz parte

Fazer o teste de HIV regularmente também é uma ferramenta de prevenção. Além dos testes realizados nos serviços de saúde, existe hoje o autoteste de HIV, que permite que a própria pessoa faça o exame com maior privacidade.

Um diagnóstico precoce permite iniciar rapidamente o tratamento. Para quem tem resultado negativo, a testagem também pode ser uma oportunidade para conversar sobre PrEP, PEP e outras estratégias.

Na cidade de São Paulo, desde o fim de 2025, armários automáticos em diferentes pontos disponibilizam gratuitamente autotestes, preservativos e gel lubrificante.

Indetectável=Intransmissível

Uma das maiores mudanças na prevenção do HIV veio do próprio tratamento. Uma pessoa que vive com HIV, utiliza corretamente os antirretrovirais e mantém sua carga viral indetectável não transmite o vírus por via sexual.

É o conceito conhecido como I=I — Indetectável=Intransmissível. Isso transforma o tratamento em uma importante ferramenta de prevenção e também ajuda a enfrentar o estigma que ainda acompanha as pessoas que vivem com HIV.

Da teleconsulta à retirada no metrô

Na capital paulista, parte da expansão da prevenção passa pela tentativa de aproximar os serviços da rotina da população.

Pelo SPrEP — PrEP e PEP online, dentro do aplicativo e-saúdeSP, é possível realizar teleconsultas todos os dias, inclusive aos finais de semana e feriados, das 18h às 22h.

Depois do atendimento, pessoas com indicação podem retirar os medicamentos em máquinas instaladas nas estações Brás, Luz, Vila Sônia, Santana e Consolação.

Na Estação República funciona ainda a Estação Prevenção Jorge Beloqui, que oferece PrEP, PEP, testagem e outros atendimentos. A cidade também conta com ações nas ruas e unidades itinerantes.

Os mais de 90 mil cadastros para PrEP foram alcançados em meio a essa descentralização dos serviços.

Ter opções também significa conseguir acessá-las

A prevenção ao HIV mudou profundamente. Hoje, uma pessoa pode escolher a PrEP diária ou, quando indicada, a modalidade sob demanda. Pode recorrer à PEP depois de uma situação inesperada. Pode usar preservativos, testar-se regularmente e combinar diferentes métodos. Para quem vive com HIV, manter a carga viral indetectável também significa não transmitir o vírus sexualmente.

Mas prevenção combinada não se resume a medicamentos e insumos. O próprio Ministério da Saúde inclui entre suas estratégias o enfrentamento ao racismo, machismo, LGBTfobia, estigma e discriminação, reconhecendo que desigualdades também podem afastar pessoas dos serviços e limitar suas possibilidades de prevenção.

É nesse contexto que a marca de 90 mil pessoas cadastradas para PrEP na cidade de São Paulo ganha um significado maior.

Mais do que oferecer diferentes tecnologias, a prevenção combinada propõe uma mudança de lógica: não existe um único método que sirva para todas as pessoas. Quanto mais informação, acesso e possibilidades, maiores são as chances de cada uma encontrar a prevenção que funciona para a sua vida.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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