Cidadãs Posithivas reúnem lideranças em São Paulo para definir prioridades e fortalecer atuação política até 2029

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Com representantes das cinco regiões do país, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas constrói planejamento estratégico para ampliar sua articulação, fortalecer a participação social e avançar na defesa dos direitos das mulheres vivendo com HIV

Transformar demandas em prioridades, fortalecer a organização nacional e ampliar a participação das mulheres vivendo com HIV nos espaços de decisão política. Esses são alguns dos objetivos do encontro que reúne, em São Paulo, lideranças do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) para a construção de seu Planejamento Estratégico 2027–2029. A iniciativa pretende estabelecer diretrizes para os próximos três anos, articulando as necessidades das diferentes regiões do Brasil com uma agenda nacional de defesa dos direitos humanos, enfrentamento da discriminação e promoção da equidade de gênero.

Com o acompanhamento da consultoria Quintiliano, Planejamento e Comunicação, representantes regionais e integrantes de espaços de diálogo e decisão política discutem metas, prioridades e estratégias para orientar a atuação do movimento nos estados e municípios. O processo também permite avaliar a trajetória do MNCP, identificar desafios e fortalecer sua capacidade de interlocução com gestores públicos e instituições responsáveis pela formulação de políticas públicas.

Das realidades regionais à construção de uma agenda nacional

Um dos principais desafios do planejamento é conciliar as demandas locais com objetivos comuns para todo o movimento. A proposta reconhece a importância das representações regionais na identificação de necessidades, na mobilização das mulheres e no acompanhamento das políticas públicas em seus territórios.

Para Jaciara Pereira, representante regional do Nordeste, o encontro representa uma oportunidade de fortalecer essa articulação e estabelecer diretrizes compartilhadas.

“O planejamento do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas representa um instrumento fundamental para orientar e fortalecer a atuação do colegiado, promovendo ações articuladas nas regiões, estados e municípios. A proposta contribui para que o movimento nacional caminhe em uma mesma direção, com uma linguagem unificada, objetivos comuns e metas compartilhadas.

Enquanto representante da região Nordeste, considero uma grande satisfação participar desse processo e contribuir para o fortalecimento do movimento. Acredito que esse planejamento reafirma o compromisso do MNCP com a construção de estratégias coletivas e com o desenvolvimento de ações que atendam às necessidades das cidadãs positivas de todo o Brasil, fortalecendo nossa luta por direitos, dignidade e qualidade de vida.”

A importância de aproximar as decisões nacionais do trabalho desenvolvido nas bases também aparece na avaliação de Aranacy Valéria, suplente da representação da região Norte.

“Considero uma oportunidade importante de aprendizado e de movimento para a minha região (Norte), sendo muito grata à Secretaria Nacional por promover o planejamento para nossas ações nas bases.”

Na região Sul, Gina Hermann destaca a metodologia utilizada no encontro como um recurso para organizar o trabalho e tornar mais claros os objetivos a serem alcançados.

“Esse planejamento estratégico foi excelente pra organizar o trabalho na região, dar um norte do que fazer e como fazer, elaborado com uma metodologia de fácil compreensão e visualização das ações e objetivos, sem dúvida, estaremos avançando nossas ações.”

A mesma preocupação com a aplicação prática das estratégias é compartilhada por Nívea Pinho, representante regional do Centro-Oeste, que considera essencial conectar as iniciativas locais aos compromissos nacionais.

“O planejamento é fundamental para nos ajudar a definir prioridades na construção de estratégias e metas que fortaleçam nossa atuação de forma coletiva e, também na organização das ações locais para alcançarmos resultados efetivos. Para mim, ter a oportunidade de participar foi extremamente gratificante.”

Participação política e defesa de direitos

Além da organização interna, o encontro coloca em discussão a presença do MNCP nos espaços de formulação e acompanhamento das políticas públicas. A intenção é ampliar a capacidade do movimento de apresentar demandas, participar das decisões e acompanhar medidas que afetam diretamente a vida das mulheres vivendo com HIV.

Essa atuação envolve questões que ultrapassam o acesso ao tratamento e à assistência em saúde. O enfrentamento do estigma, da discriminação e das desigualdades de gênero integra uma agenda mais ampla de direitos humanos, autonomia e participação social.

Para Fabrícia Lins, representante do MNCP no Grupo de Trabalho do Unaids, o planejamento contribui para ampliar a representatividade do movimento e fortalecer sua incidência política.

“Participar do planejamento estratégico do MNCP para 2027 representa, para mim, fortalecer meu compromisso com a luta pelos direitos das mulheres vivendo com HIV, contribuindo para a construção coletiva de prioridades e estratégias. É um momento importante para fortalecer a articulação nacional e regional, valorizar as realidades locais e ampliar nossa incidência política, garantindo que o movimento siga organizado, representativo e comprometido com a dignidade e os direitos de todas as mulheres.”

Novo cenário político amplia expectativas

O planejamento ocorre poucos dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro, para um novo mandato à frente do governo federal. O resultado eleitoral também integra as discussões sobre os próximos passos do movimento, especialmente em relação à interlocução com o poder público e à participação da sociedade civil na construção das políticas públicas.

Para o MNCP, o novo ciclo político representa uma oportunidade de apresentar reivindicações e acompanhar compromissos governamentais. A organização ressalta, entretanto, que o diálogo precisa resultar em medidas concretas para enfrentar a discriminação, promover a equidade e assegurar direitos.

Silvia Almeida, representante regional do Sudeste, relaciona o ambiente político ao sentimento das participantes durante a elaboração do planejamento e destaca o amadurecimento da organização.

“Iniciamos nosso encontro com muita alegria após a reeleição do presidente Lula. Antes disso, todas nós estávamos tensas por não saber o rumo que nosso país tomaria caso a direita ganhasse. Mas nosso planejamento aconteceu em um clima de muita esperança, com muitas ideias e estratégias traçadas. O MNCP está cada vez mais amadurecido, e estamos unidas em torno dos nossos objetivos.”

A construção do Planejamento Estratégico 2027–2029 representa, agora, o desafio de transformar as prioridades discutidas em ações concretas, com responsabilidades definidas e acompanhamento dos resultados. Ao reunir lideranças de diferentes regiões, o MNCP busca consolidar sua atuação como organização autônoma, crítica e propositiva, fortalecendo a presença das mulheres vivendo com HIV nos espaços de decisão e na defesa das políticas públicas que garantam seus direitos.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações do MNCP

 

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