10/03/2007 – 21h40
Nair Brito (Programa Estadual de DST/Aids), Socorro Freitas (Cidadãs Posithivas do Piauí) e Beth Franco (GIV) diante da platéia do I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo
“Quantos padres já morreram de Aids?” Foi com essa pergunta que a ativista Socorro Freitas questionou a nota divulgada na sexta-feira (09/03) pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nela (leia mais), a entidade respondeu o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feito na última quarta-feira (07/03). Durante o lançamento do “Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST”, na cidade do Rio de Janeiro, Lula disse que “preservativo tem que ser doado e ensinado como usar”. E acrescentou: “muitas vezes deixamos de debater os temas da forma verdadeira, como tem que ser debatido, por puro preconceito. Minha mãe não gosta, meu pai não gosta, a igreja não gosta, não sei quem não gosta.” A Igreja Católica, religião de 126 milhões de brasileiros (cerca de 74% da população), sempre manifestou-se contra o uso da camisinha. Socorro Freitas, soropositiva do Piauí, trouxe a possibilidade de fazer um levantamento do número de cléricos vitimados pela Aids no Brasil e no mundo. Outras ativistas, presentes ao I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo, também fizeram duras críticas a nota divulgada pela CNBB.
A figurinista e artesã Denise Moraes, que vive o HIV há nove anos, classificou a postura da Igreja Católica como “abominável”. Para a ativista, os líderes dessa religião “só amam a Deus, mas não os próximos.” “Eles [os padres] deveriam estar distribuindo preservativos para os fiéis”, avalia Moraes.
Beth Franco, psicóloga do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), disse compartilhar da opinião do presidente Lula, que classificou a postura da igreja, de não permitir a utilização de preservativos entre os seus fiéis, como “hipocrisia”.
“A Igreja tem uma visão a respeito da sexualidade que precisa ser revisitada. Essa proposta não contribui com o desenvolvimento do indivíduo. Isso é tapar o sol com a peneira”, afirma Beth Franco.
Nair Brito, representante do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, contemporiza: “Essa é uma sociedade plural, onde cabem todas as opiniões. A Igreja tá no direito dela.”
Em seguida, a ativista Socorro Freitas diz que a escola é o melhor lugar para essa questão ser “problematizada”, pois seria “um lugar de formação”. “Um dos lugares de formação”, acrescenta Brito, ao ouvir o comentário da colega.
Ambas participam dos três dias do I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo, que teve início na sexta-feira (09/03) e termina na manhã deste domingo (11/03).
“A escola não tá ali pra se impor, se estiver, está equivocada. Isso [disponibilizar preservativos para os jovens] não estimula a prática sexual, é não acreditar capacidade critica desse jovem”, avalia Nair Brito.
Léo Nogueira



