Ciclistas passeiam no centro de São Paulo a favor da vida e contra a aids

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01/12/2014 – 11h

Centenas de pessoas participaram ontem (30) do Passeio Ciclístico Pela Vida e Contra a Aids, promovido pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. O passeio teve início às 10h no Viaduto do Chá, em frente a sede da prefeitura. Os ciclistas passaram por pontos turísticos do centro histórico, tais como o Mosteiro São Bento, a Estação da Luz e o Palácio do Correio, percorrendo um trajeto de 5 quilômetros.

De acordo com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), cerca de 150 a 200 pessoas estiveram presentes na atividade. O evento deu início à Semana de Luta contra a Aids, que vai até sexta-feira (5). Contou com o apoio do Instituto CicloBR, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e do Movimento Conviva.

De acordo com Eliana Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, o evento chamou atenção para aids de maneira alegre. “É possível a gente tratar dessa questão sem ser com terrorismo. É importante que as pessoas se cuidem, se tratem e sejam felizes. A ideia é fazer uma celebração da vida e da luta contra a aids”.

Militante do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), Cristiane Carvalho, 40, acredita que o passeio é importante principalmente para os heterossexuais. “Eles pensam que não vai acontecer com eles, que é uma doença dos anos oitenta, que acontece só com homossexual, e hoje, está aí pra todo mundo ver, que a maioria dos casos é em héteros”.

É a primeira vez que participa de um evento como esse. Foi acompanhada da amiga Silvana Borges Campos, 27. “Antes existia, pra se falar de HIV, aids e coisas relacionadas, muita palestra, coisas mais fechadas, e agora está aberta pra todo mundo. É uma inclusão social e uma visibilidade muito grande. Mesmo eu não sendo portadora de HIV, estou aqui apoiando a causa”, afirma Silvana.

Eliana Gutierrez diz que a pedalada foi pensada, também, para valorizar a mobilidade urbana vivida pela cidade com as ciclofaixas, além de ser uma atividade saudável. “São Paulo está ficando uma cidade muito bacana pras pessoas andarem de bicicleta. Fazer exercício é bom pra todo mundo. A ideia é celebrar essa fase da cidade, que está ficando gostosa e acolhedora pras pessoas que querem fazer ciclismo e outros esportes”, explica.

É o que pensa Welton Zellig, 22, pois, além da conscientização, o evento também promove a prática de esportes. “Se todos os positivos fizessem um pouco mais de exercício, as pessoas diriam 'Eles estão aqui, estão vivos, na ativa, qual é o preconceito que tem?'”, opina. Ele levou a amiga Ariangela Lays Ferreira Santos, 24. “É bom espalhar isso pro máximo de pessoas, orientar todo mundo, familiares, amigos, mesmo quem não tem HIV”, diz ela.

Brunna Valin, 39, orientadora sócio-educativa no Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD), militante e ativista do movimento de travestis e transexuais, afirma que o evento é importante, pois proporciona maior visibilidade positiva para as pessoas vivendo e convivendo com o HIV/aids. “Eu acho que diminui um tanto o conceito que a sociedade tem, a partir do momento que vê essas pessoas fazendo as mesmas coisas que as outras fazem”. 

Ela vive há 22 anos com o vírus e diz sofrer preconceito até hoje. “Eu sou transexual e vivo com HIV/aids. Sei o quanto enfrento problemas em relação a isso. Não posso nem me apresentar como vivendo com HIV/aids, me apresento como militante e ativista. A sociedade não me recebe. Quando digo, a sociedade me rejeita ainda mais, pois é um 'veado' com HIV/aids”.

O passeio terminou com música no Vale do Anhangabaú, um pouco antes das 11h30. Balões vermelhos e brancos foram soltos para lembrar a luta contra a Aids.

Leandro Fonseca, repórter colaborador da Agência de Notícias da Aids

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