Chemsex em Foco: Reflexões e propostas do “I Seminário Brasileiro de Redução de Danos”

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

O “I Seminário Brasileiro de Redução de Danos no Contexto do Chemsex”, realizado pelo Instituto Multiverso, nos dias 15 e 16 de dezembro de 2023, em São Paulo, reuniu ativistas, redutores de danos, especialistas e pesquisadores para abordar questões cruciais relacionadas ao chemsex (sexo químico) e suas ramificações sociais e de saúde pública.

O evento contou com uma mesa de abertura inusitada. Apesar de contar com a presença de autoridades como Ivone de Paula, representando o CRT-SP, e Raquel de Paiva, representando o coordenador de Políticas para a Diversidade Sexual, Rafael Calumby, da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, o destaque da composição da mesa se deu por conta do foco primordial nas representações identitárias, tradicionalmente invisibilizadas, como mulheres trans e travestis, pessoas pretas, nordestinas e caiçaras, pessoas que usam drogas e/ou que vivem com HIV.

Karin di Monteiro, da ONG “É de Lei”, teve uma fala destaque, enfatizando a importância de construções coletivas, cooperativas e solidárias para o avanço da pauta dos direitos humanos no âmbito da redução de danos. Os outros integrantes da mesa destacaram a importância do tema para populações vulnerabilizadas, como pessoas LGBT+, explorando como o chemsex afeta essas comunidades. Estratégias de redução de danos específicas para essas populações foram discutidas, evidenciando a necessidade de abordagens sensíveis e inclusivas.

Os desafios das comunidades terapêuticas foram abordados com muita ênfase, alertando sobre os perigos que podem representar para as liberdades individuais. A discussão sobre vulnerabilização e eugenia, implícitas na guerra contra às drogas, e o quanto isso afeta a situação de grupos minorizados, demonstrou a importância de combater a discriminação e o estigma relacionadas a ideias, corpos e ideologias dissidentes na atual conjuntura.

O papel do governo e das políticas públicas também foi marcado nas falas, ressaltando a responsabilidade do governo na abordagem do chemsex. A necessidade de políticas públicas que respeitem a diversidade e os direitos individuais foi definida como um aspecto essencial para lidar com esse fenômeno. A abordagem educacional libertária foi proposta como fundamental na compreensão do chemsex, destacando o papel crucial da educação na redução de estigmas e preconceitos.

A programação incluiu a palestras de renomados profissionais, como a Aula Magna ministrada por Osvaldo Lobos Fernández, pós-doutor em ciências sociais e diretor-presidente da Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos (REDUC) que abordou a História da redução de danos e suas potencialidades futuras.

O evento contou com nomes relevantes como: Victor Passarelli, Allan Gomes de Lorena, Myro Rolim, Fabio Carezzato, Fabi Mesquita, Marina Del Rei, Bruno Branquinho e João Geraldo Netto. As atividades abrangeram desde desmistificação do chemsex até políticas de redução de danos e estratégias específicas. Abordou também temas como a desmistificação da prática do chemsex e o estado da arte das políticas de redução de danos. O evento contou ainda com a presença massiva de influenciadores digitais, organizações de trabalhadores e trabalhadoras sexuais, representantes dos movimentos ligados ao entretenimento adulto, ativistas e redutores de danos e ONGs relevantes como Barong, Impulse, entre outras

As propostas tiradas nas oficinas delinearam uma série de iniciativas, desde estímulos ao diálogo e educação até a criação de leis e estratégias de comunicação. A inclusão de trabalhadores do sexo nas discussões, definição de termos adequados e ações específicas para uso de metanfetamina foram alguns dos pontos abordados.

O Seminário culminou em propostas concretas, como:

  • definição sobre os melhores termos (palavras) a serem usadas para definir o chemsex no contexto brasileiro;
  • criação de projetos de leis sobre chemsex;
  • desenvolvimento de materiais de comunicação para distribuição em zonas de sociabilidade;
  • capacitação e educação continuada para profissionais de saúde;
  • ações de comunicação em aplicativos de relacionamento;
  • material especial sobre redução de danos no uso de metanfetamina.

O evento não apenas trouxe à tona questões relevantes e urgentes relacionadas ao chemsex no Brasil, mas também promoveu um ambiente de discussão colaborativa e construção de propostas concretas para lidar com esse fenômeno complexo e multifacetado.

Apoios