Chefe da OMS diz que justificativas dos EUA para sair da agência são ‘falsas’, destaca AFP

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Diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus afirma que decisão torna o país e o mundo ‘menos seguros’ e lembra que Washington deve cerca de US$ 260 milhões à organização

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou neste sábado que os motivos apresentados pelos Estados Unidos para anunciar sua retirada da agência são “falsos”.

Poucas horas após tomar posse, em 20 de janeiro de 2025, o presidente americano Donald Trump assinou um decreto determinando a saída dos Estados Unidos da OMS. Pelas regras da organização, o processo leva um ano para ser concluído.

Tedros lamentou a iniciativa e afirmou que ela torna os Estados Unidos e o mundo “menos seguros”.

Em publicação na rede social X, declarou: “Infelizmente, os motivos citados para a decisão dos Estados Unidos de se retirar da OMS são falsos”.

O dirigente ressaltou ainda que a agência de saúde da ONU “sempre manteve o compromisso com os Estados Unidos e todos os Estados-membros, com pleno respeito à sua soberania”.

Acusações e reação da agência

Na quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., anunciaram em comunicado conjunto que Washington havia se retirado formalmente da OMS.

No texto, acusaram a organização de numerosos “fracassos durante a pandemia de covid-19” e de agir “repetidamente contra os interesses dos Estados Unidos”.

A Organização Mundial da Saúde não confirmou que a retirada tenha sido concretizada.

Segundo Rubio e Kennedy Jr., a OMS “desprestigiou e maculou” os Estados Unidos e comprometeu sua independência. “O fato é o contrário”, rebateu a agência em um comunicado.

A OMS mostrou-se muito incomodada com a acusação de Rubio e Kennedy de que, em sua resposta à pandemia, teria “obstruído o intercâmbio oportuno e preciso de informações críticas que poderiam ter salvado vidas de americanos e depois ocultado esses fracassos”.

Kennedy também sugeriu no X que a OMS era responsável “pelos americanos que morreram sozinhos em casas de repouso e pelos pequenos negócios que foram destruídos por ordens imprudentes” de usar máscaras e se vacinar.

Tedros alertou no X que o comunicado “contém informações imprecisas”.

A OMS destaca que, quando Washington se juntou à organização em 1948, reservou-se o direito de se retirar, desde que desse um ano de aviso e tivesse cumprido “com suas obrigações financeiras”.

Mas Washington não pagou suas contribuições de 2024 ou 2025 e deve cerca de 260 milhões de dólares.

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