Cerimônia celebrou protagonistas históricos da resposta brasileira à epidemia de HIV/aids

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08/12/2014 – 19h20

Um a um, 16 nomes fundamentais na história da resposta brasileira à epidemia de HIV/aids subiram ao palco na noite do dia 1° de dezembro para receber – das mãos do ministro da Saúde, Arthur Chioro, e da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci – uma merecida homenagem por seu protagonismo na luta contra a aids no Brasil.

A cerimônia simples e delicada – mas marcada por muita emoção – encerrou as celebrações oficiais do Ministério da Saúde para o Dia Mundial de Luta contra a Aids e, em especial, para os 30 anos de corajoso enfrentamento à epidemia no país. A celebração foi realizada no hotel Royal Tulip Alvorada, em Brasília.

Estavam também presentes ao palco da cerimônia o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa; o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério, Fábio Mesquita; a deputada estadual Telma de Souza (PT/SP); a representante do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Lourdes Almeida; e o representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Alexandre Santos.

A noite foi marcada também por uma celebração especial do trabalho da médica Lair Guerra, cofundadora do Programa Nacional de Aids, em 1985, e responsável por ações pioneiras de enfrentamento de uma epidemia à época ainda desconhecida e avassaladora – que fez de sua vida uma missão incansável pela prevenção e pela assistência aos portadores de HIV/aids.

Em seu pronunciamento, o ministro Chioro celebrou o sucesso internacional do Programa Nacional de Aids, lembrando – além dos homenageados da noite – as milhares de pessoas que ajudaram a consolidar a resposta brasileira ao longo dos últimos 30 anos, numa “narrativa épica construída com muitas dificuldades”.

 “Como médico sanitarista e professor na área de Saúde Coletiva – e hoje como gestor responsável pelo Ministério da Saúde –, tenho muito orgulho do que o nosso país concretizou”, disse o ministro.

 Para Chioro, a eficácia do Programa se deve, em grande parte, à sua peculiar capacidade de fazer interagir estado, sociedade civil, academia, igreja – sempre em nome da causa maior: o enfrentamento singular à epidemia. “Isso fez a diferença”, reiterou, garantindo ser, ele também, “cria das experiências, dos êxitos, dos problemas que enfrentamos e dos embates que travamos”.

Chioro afirmou também que, em termos globais, “chegamos a um momento da resposta contra a epidemia de aids que vai exigir que ressignifiquemos a nossa capacidade de diálogo com a sociedade, particularmente com a juventude”.

 Para o ministro, a hora não é de acomodar-se nos sucessos obtidos, mas de seguir em frente abrindo caminhos rumo ao fim da epidemia até 2030, como preconizam as Nações Unidas.

Os homenageados

Na cerimônia, foram homenageados a advogada e fundadora do GAPA/SP Áurea Celeste da Silva Abade, pioneira na defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids; o consultor de direitos humanos e drogas e presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos (Aborda), Domiciano Siqueira, que atua em programas de redução de danos em todo o país; o professor sênior do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP Euclydes Ayres de Castilho, que assessorou Lair Guerra na consolidação do Programa Nacional de Aids e o frei Luiz Carlos Lunardi, assessor nacional da Pastoral da Aids da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o enfrentamento da epidemia de HIV/aids.

Foram também homenageados Inácio Queiroz, presidente do Grupo Pela Vidda – Niterói, organização que tem como missão promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas vivendo com aids e disseminar informações sobre o HIV/aids junto à sociedade; José Almir Santana, médico especialista em Saúde Pública, coordenador do Programa Estadual de DST/AIDS de Sergipe desde 1987 e pioneiro no tratamento de pacientes com HIV/aidss; Lourdes Barreto, fundadora e presidente de honra do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, que participou da estruturação de estratégias de prevenção junto a populações de difícil acesso, no âmbito do DDAHV.

Também receberam troféus Marco Vitória, médico infectologista do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), que foi coordenador do programa estadual de DST/Aids de Minas Gerais; Maria Clara Gianna, médica sanitarista, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo e diretora do Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS vinculado à Secretaria do Estado da Saúde; e Mariângela Simão, médica pediatra e sanitarista, ex-diretora do DDAHV e atual diretora do Departamento de Direitos, Gênero, Prevenção e Participação Comunitária do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).

A cerimônia seguiu com homenagens a Marinella Della Negra, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, São Paulo, pioneira no tratamento de crianças soropositivas, gestantes e mulheres privadas de liberdade; Paulo Roberto Teixeira, ex-diretor do DDAHV e atual consultor sênior do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, que fez parte do Grupo de Trabalho que criou o Programa Nacional de Aids e Rosana Del Bianco, médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e membro do Comitê Assessor para Terapia Antirretroviral em Adultos Infectados pelo HIV/AIDS, que chefiou a área de assistência do Programa Nacional de DST/AIDS de 1993 a 1995.

Foram homenageados ainda Telma de Souza, ex-prefeita da cidade de Santos, pedagoga, advogada e mestre em Saúde Coletiva, deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores e responsável por ousadas ações em Santos no início da epidemia; e Toni Reis, doutor em Educação, fundador do Grupo Dignidade e secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. A homenagem a Dirceu Greco – médico especialista em Imunologia Clínica e doutor em Medicina Tropical, ex-diretor do DDAHV e atual professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG – foi recebida por sua irmã, Marília Greco.

Os demais homenageados – Pedro Chequer, Alexandre Granjeiro, Celso Ramos Filho, Daniel de Souza, José Sarney, Marta Suplicy, Giovanna Baby, Lucinha Araújo, Luiz Loures, Richard Parker e Vicente Amato Neto, que não puderam comparecer à cerimônia – foram igualmente aplaudidos pela plateia, brindada com a rara oportunidade de presenciar algo da árdua história brasileira de enfrentamento à aids reunida em um único salão.

Unaids e OMS

 A homenagem contou também com a transmissão de mensagens do diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Michel Sidibé, e do diretor do Departamento de HIV/Aids da OMS, Gottfried Hirnschall – para quem o Programa Nacional de Aids merece grande reconhecimento por conseguir, além de impactar a epidemia em território nacional, influenciar a resposta global à aids.

Mais cedo, antes da cerimônia, foi exibida uma cativante animação produzida pela Assessoria de Comunicação do DAAHV, sintetizando a história da luta no Brasil da década de 1980 até o atual momento – pautado por excelência baseada em evidências científicas, inovação tecnológica e um intenso diálogo com todos os atores envolvidos com a luta contra o HIV/aids.

 

 

 

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