23/12/2006 – 12h35
Rio de Janeiro. Dois dias antes do Natal de 1993, psicólogos, assistentes sociais e pedagogos criaram um grupo de estudo sobre questões que envolvessem a “sexualidade”. “A idéia inicial era fazer um grupo de estudo, mas, em 1994, começamos a fazer um trabalho de prevenção nas escolas. Era um projeto pioneiro. Ele acabou dando a cara do CEDUS [Centro de Educação Sexual]”, afirma Roberto Pereira, psicólogo e coordenador-geral da entidade que hoje completa 13 anos. Ele refere-se ao Projeto EDUCARTE que, até 1997, promoveu a implantação da educação sexual na rede pública de ensino da capital fluminense. Em parceria com as Secretarias de Educação e de Saúde do Município e com o apoio da Fundação Odebrecht, o CEDUS viabilizou a “capacitação de profissionais e a criação de núcleos de adolescentes multiplicadores.”
Nos anos seguintes, o Centro de Educação Sexual continou com “ações” em diversas áreas, mas sempre trabalhando com os aspectos nos quais se tornaria referência, como a “capacitação em educação sexual”, a criação de “jornadas, oficinas e grupos de reflexão” e a “produção de material informativo e pedagógico.” Em 1995, o Projeto Maricá, realizado na cidade de mesmo nome, capacitou 25 indivíduos. Cada um deles trabalha em uma escola da região metropolitana do município e tem como missão disseminar as informações recebidas. De 1996 a 1998, a ONG participou, através de um trabalho de consultoria, de um projeto de prevenção das DST/Aids e ao uso abusivo de drogas junto às escolas da região metropolitana do Rio de Janeiro. A iniciativa, intitulada SER VIVO, foi desenvolvida com o apoio das Secretarias de Educação e de Saúde do Município do Rio de Janeiro, das Secretarias de Educação e Saúde do Estado fluminense e do Ministério da Saúde.
Desde 1997, o CEDUS também capacita adolescentes de Pedra de Guaratiba, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro. O objetivo da empreitada é o “desenvolvimento de intervenções de prevenção às DST/Aids e ao abuso de drogas junto à comunidade local.” Roberto Pereira, coordenador-geral do Centro de Educação Sexual, também lembra de iniciativas mais recentes, como os projetos “Vista a Camisinha” e “Sinal Verde” e ressalta a importância do trabalho dos adolescentes como “multiplicadores” da mensagem relativa a prevenção. “Em 12 de dezembro, houve um encontro com os adolescentes multiplicadores aqui no Rio”, recorda.
Segundo Roberto Pereira, que também é integrante do Fórum de ONG/Aids do Estado do Rio de Janeiro, a entidade é mantida por “nós mesmos”. Com exceção de algumas ações pontuais que contam com o apoio do poder público ou da iniciativa privada, os recursos saem do bolso dos próprios membros do centro. A estrutura, como o próprio define, é “mínima”. “É uma equipe pequena. São dez pessoas”, explica Pereira. O psicólogo promete para janeiro, uma reunião para definir as ações para o ano de 2007.
Léo Nogueira


