Casas de apoio recebem recurso extra do estado de São Paulo

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

09/05/2014 – 16h20

A partir de julho as casas de apoio tipo 2 que acolhem pacientes com HIV e aids no estado de São Paulo vão receber um recurso adicional de R$ 600 por morador/mês, totalizando um repasse de R$ 1.400. O anúncio foi feito pelo coordenador-adjunto do Programa Estadual DST/Aids de São Paulo, Arthur Kalichman, na manhã desta sexta-feira (9), durante seminário Sustentabilidade da Política Pública para as Casas de Apoio para Pessoas Vivendo com HIV/Aids, no centro da capital paulistana. O evento é uma iniciativa do Fórum de ONG/Aids de São Paulo.

No inicio do ano a Comissão Intergestores Bipartite já havia aprovado um aumento de R$ 500 para R$ 800 por acomodação/mês para as casas tipo 2 e de R$ 350 para R$ 500 por acomodação/mês para as casas classificadas em tipo 1. No entanto, segundo Arthur, o estado entendeu que o paciente tipo 2 é mais complexo e o valor repassado pela verba de incentivo financeiro para as ações de vigilância era baixo, por isso, decidiu acrescentar este recurso.

As casas tipo 1 são destinados a soropositivos assintomáticos com necessidade de apoio psicossocial, cuidados com alimentação e acompanhamento para adesão ao tratamento. Já as moradias do tipo 2 acolhem pessoas que apresentam maior grau de dependência para realizar atividades e cuidados da vida diária.

A sustentabilidade e a real situação das casas de apoio que acolhem pessoas vivendo com HIV/aids viraram tema recorrente em reuniões do movimento social de São Paulo. Muitos representantes acreditam que esses serviços precisam não só da sustentabilidade financeira, mas também da sustentabilidade política e técnica, como relatou a coordenadora da Associação de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru, Márcia Pereira.

"As casas de apoio têm muitos desafios e dificuldades. Por exemplo, é difícil formar uma equipe técnica porque concorremos o tempo inteiro com os salários ofertados no mercado. Outra dificuldade é a participação em locais de discussão política. Muitos representantes de casas de apoio não estão aqui hoje porque não há pessoas para se responsabilizar pelo trabalho desses enquanto eles estão fora". Relatou Márcia.

O assessor técnico do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Rubens Duda, abriu o evento resgatando parte da história das casas de apoio. "Esses serviços foram criados para acolher pessoas que iam morrer mas, com o passar dos anos e o avanço do tratamento, essas casas tiveram de resgatar a ideia de vida." Assim como ele, o ativista Marco Antonio, da Associação Liberdade e Vida, também usou seus 20 minutos para falar sobre a origem das casas de apoio.

Segundo informou o coordenador de Articulação com a sociedade civil do Programa Estadual de DST/Aids, Jean Dantas, em São Paulo há 25 casas de apoio em 15 municípios diferentes, sendo 12 do tipo 1, nove direcionadas a pacientes do tipo 2 e três casas para crianças vivendo e convivendo com HIV e aids, totalizando, assim, 491 leitos.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Apoios