A cidade de São Paulo recebeu nesta sexta-feira (15) o lançamento oficial do Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, iniciativa da Associação Casarão Brasil em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) voltada à inclusão produtiva, autonomia financeira e geração de renda para a população LGBTQIA+ e outros grupos em situação de vulnerabilidade social.
Realizada na região central da capital paulista, a cerimônia marcou o início da execução do programa pelo Casarão Brasil e reuniu representantes do governo federal, do sistema de Justiça do Trabalho, educadores, lideranças sociais e participantes dos cursos. O projeto oferecerá 600 vagas gratuitas em cursos profissionalizantes nas áreas de Panificação Solidária, Informática e Letramento Digital e Costura Ecológica e Upcycling, todos com carga horária de 150 horas e acompanhados de formação em empreendedorismo e cidadania.
O lançamento simbolizou mais do que a abertura de inscrições para cursos profissionalizantes. Em meio ao crescimento das desigualdades sociais e das barreiras históricas enfrentadas pela população LGBTQIA+ no acesso ao mercado de trabalho, o programa surge como uma estratégia de reconstrução de trajetórias, fortalecimento da autonomia e combate à exclusão social.
Participaram da mesa institucional Francisco Macena da Silva, secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego; Symmy Larrat; Roberto Vieira de Almeida Rezende, juiz do Trabalho do TRT-2; e Rogério Oliveira, presidente da Associação Casarão Brasil.
Durante o evento, representantes do governo e da sociedade civil destacaram a importância de políticas públicas que aliem qualificação profissional, proteção social e promoção da cidadania para populações historicamente marginalizadas. A iniciativa também reforça a ampliação das ações do Casarão Brasil em diferentes territórios do estado de São Paulo, por meio de articulações com redes públicas, instituições parceiras e serviços de assistência social.
Formação profissional como ferramenta de transformação social
Os cursos oferecidos pelo programa foram apresentados pelos profissionais responsáveis pelos eixos de formação, que defenderam a qualificação gratuita como instrumento concreto de enfrentamento às desigualdades estruturais.
Responsável pelo curso de Informática e Letramento Digital, Douglas Mariano afirmou que a iniciativa funciona como um espaço de reconstrução da autonomia para pessoas frequentemente atingidas pela discriminação institucional.
Segundo ele, o projeto atua ao “fomentar um espaço livre da hostilidade institucional”, restaurando a autoestima e fortalecendo sujeitos historicamente excluídos.
Na área de Panificação Solidária, Chef Mazinho ressaltou o impacto social da formação profissional no cotidiano das pessoas atendidas pelo programa.
“Não ensina só uma profissão, mas abre portas e devolve dignidade, fortalecendo a autoestima de quem coloca a mão na massa, vê o resultado e entende que é capaz”, afirmou o confeiteiro e empreendedor gastronômico.
Já Michelle Maus, responsável pelo eixo de Costura Ecológica e Upcycling, destacou que o projeto busca criar alternativas sustentáveis de geração de renda, aliando criatividade, moda circular e inclusão social.
“Criamos um espaço seguro de aprendizado com caminhos reais de geração de renda, viabilizando um modelo de produção em que identidade, criatividade e sustentabilidade se tornam ativos econômicos”, afirmou.
Além da capacitação técnica, o programa prevê acompanhamento contínuo dos participantes e monitoramento dos resultados, com foco na ampliação das oportunidades de inserção profissional e transformação social.
Prioridade para população trans, pessoas vivendo com HIV e grupos vulnerabilizados
O Programa Manuel Querino estabelece critérios de prioridade voltados a grupos historicamente excluídos das políticas de emprego e renda. Pelo menos 50% das vagas serão destinadas à população trans, pessoas LGBTQIA+, pessoas vivendo com HIV e outros públicos em situação de vulnerabilidade social.
A iniciativa também contempla pessoas em situação de rua, migrantes, refugiados, egressos do sistema prisional e indivíduos em contextos de extrema vulnerabilidade econômica e social.
O foco na inclusão produtiva dialoga diretamente com os desafios enfrentados por parte significativa da população LGBTQIA+ brasileira, especialmente pessoas trans e travestis, que frequentemente encontram barreiras de acesso à educação formal, emprego e proteção social.
Expansão das ações do Casarão Brasil
Fundado em 2008, o Casarão Brasil atua como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) voltada à promoção da inclusão social, econômica, educacional e cidadã da população LGBTI+ na cidade de São Paulo.
Ao longo dos anos, a entidade consolidou ações ligadas à assistência social, acolhimento, fortalecimento de vínculos comunitários e promoção de direitos humanos. O lançamento do Programa Manuel Querino marca uma nova etapa da atuação da organização, ampliando sua presença em projetos de qualificação profissional e inclusão produtiva em parceria com o governo federal.
O evento também contou com a entrega simbólica de kits de formação aos participantes dos cursos, incluindo camisetas e apostilas, representando o início das atividades formativas que serão desenvolvidas ao longo dos próximos meses.
Redação da Agência de Notícias da Aids




