Casa Casulo: criação de espaço de acolhimento LGBT+ no sul do Estado depende de doações – GZH

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Iniciativa do Coletivo Juliana Martinelli irá oferecer um lar e oportunidade

Após cinco anos de planejamento, o Coletivo Juliana Martinelli se prepara para inaugurar a primeira casa de acolhimento a pessoas LGBT+ na metade sul do Estado, em Pelotas, na região do Porto. Sem apoio público, a iniciativa depende de doações voluntárias e aguarda burocracias, como a emissão de alvará e de Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) para abrir as portas.

À frente do projeto está Jerci Cardoso, diretora do coletivo e ativista há mais de 20 anos. Fundado em 2019, o coletivo lançou durante a pandemia de Covid-19 o Mesa LGBT, iniciativa que atendeu cerca de 150 famílias com doações em casa.

Segundo Jerci, a ideia de criar a Casa Casulo surgiu dos desafios enfrentados pela população LGBT+ de Pelotas.

“Pelotas é uma cidade acolhedora, mas não acolhe muito bem o pelotense, acolhe o pessoal que vem de fora. Aí entra o papel da casa: acolher principalmente o LGBT da cidade, para que tenha onde permanecer”, conta Jerci.

Inicialmente, a Casa Casulo terá capacidade para atender seis pessoas simultaneamente. A expectativa é de que o acolhimento dure de três meses a um ano, período em que será oferecido acompanhamento de saúde. O coletivo também busca parcerias com empresas e instituições de ensino para a oferta de oportunidades de estudo.

“O que nós queremos é que a pessoa não tenha simplesmente casa e comida, e sim uma alavanca para poder seguir em frente e um recomeço de vida”, conta Jerci.

Já há fila de espera para entrar na casa, que terá um processo de triagem. O espaço será aberto para públicos diversos, incluindo adolescentes expulsos de casa, pessoas prostituídas e idosos LGBT+.

Atualmente, a casa já tem praticamente todo o mobiliário necessário. Para equipar a casa, o coletivo contou com doações de beliches, móveis e eletrodomésticos.

“A população abraçou muito bem. Graças a eles, tudo isso aqui está se tornando palpável, mas a gente ainda tem muito trabalho para fazer”, afirma.

A principal necessidade é por doações recorrentes que ajudem a manter a casa em funcionamento. Com seis acolhidos, a estimativa é de um custo mensal de R$ 12 mil a R$ 15 mil.

“Nós precisamos de pessoas que, com pouco ou muito, mantenham essa casa junto conosco. Essa é a parte que está sendo muito difícil”, relata.

Doações de qualquer valor podem ser feitas por Pix para a chave CNPJ 42.526.563/0001-68.

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