No dia 1º de dezembro, as ruas da zona leste de São Paulo serão tomadas por cor, música e compromisso social. A “Carreata Pela Vida”, organizada pelo Instituto Vida Nova (IVN) em parceria com a Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo, promete unir milhares de pessoas em um grande ato de visibilidade, solidariedade e resistência. Mais do que uma celebração, o evento é um chamado à consciência coletiva sobre a importância de manter viva a luta contra a Aids — uma batalha que, embora tenha conquistado muitos avanços, ainda está longe de ser vencida.
O evento será realizado das 11h30 às 17h, com um Trio Elétrico batizado de “Unidos pela Saúde, Unindo Forças Contra a Aids”, percorrendo as principais avenidas dos bairros de São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Ermelino Matarazzo, Ponte Rasa e Vila Curuçá. A expectativa é atingir cerca de 5 mil pessoas, com paradas estratégicas nos CTA São Miguel e Sérgio Arouca, onde profissionais de saúde e pessoas vivendo com HIV terão espaço para se manifestar e compartilhar suas experiências.
A proposta vai muito além de uma ação simbólica. Trata-se de um gesto político, humano e comunitário que reafirma o compromisso histórico de São Paulo com o enfrentamento à epidemia.
“Tem sido assim desde a fundação do IVN em 2000: atuar na luta contra a Aids em seu enfrentamento, monitorando, avaliando e questionando as autoridades na perspectiva de superar as diversas dificuldades na assistência e proteção das pessoas que vivem com HIV; é sua missão!”, afirma Américo Nunes Neto, presidente do Instituto Vida Nova.
Conscientizar, celebrar e reivindicar
A carreata será uma oportunidade de relembrar que o HIV ainda é uma questão de saúde pública, que exige mobilização e políticas consistentes. Américo reforça que, mesmo com as inovações na política de IST/Aids da cidade, é necessário ampliar o diálogo com a população e renovar o engajamento social.
“Ainda que a política de IST/Aids na Cidade de São Paulo se destaque em inovações, faz-se necessário amplificar esse dia para falar sobre a doença, o acesso ao diagnóstico, o tratamento e as novas tecnologias de prevenção com a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP); independente da orientação sexual e gênero, também para celebrar os direitos das pessoas que vivem com HIV ou Aids e olhar para tantos outros desafios”, diz o ativista.
O Brasil tem registrado, em média, 10 mil mortes em decorrência da Aids por ano. Apesar dos avanços científicos e da ampliação da oferta de medicamentos gratuitos pelo SUS, a epidemia ainda carrega o peso do estigma, da desinformação e das desigualdades regionais. “O Dia Mundial de Luta contra a Aids se mantém relevante hoje, como sempre foi, lembrando as pessoas e os governos que o HIV não desapareceu e continua sendo um problema de saúde pública”, destaca Américo.
A luta que continua
Desde 1988, o 1º de dezembro marca o Dia Mundial de Luta contra a Aids — uma data que simboliza a resistência de milhões de pessoas ao redor do mundo. No Brasil, o movimento social e as organizações da sociedade civil têm papel determinante na construção de políticas públicas e na defesa dos direitos das pessoas que vivem com HIV. A “Carreata Pela Vida” é parte dessa tradição de mobilização que transformou dor em ação coletiva.
“Nesta data ampliamos nossas vozes para alcançar todas as pessoas, para se informar e agir ativamente contra o preconceito, atuar com respeito, empatia e solidariedade na luta contra a Aids”, reforça o presidente do IVN.
Ele ressalta que o enfrentamento ao HIV não pode se restringir ao campo médico, mas deve ser visto como uma pauta de cidadania e direitos humanos. “Ainda há uma necessidade crítica em aumentar o financiamento para a resposta na luta contra a Aids e para aumentar a consciência do impacto do HIV na vida das pessoas, para acabar com o estigma, a discriminação e melhorar a qualidade de vida”, acrescenta.
Um ato de amor e resistência
Mais do que números ou estatísticas, a carreata pretende reacender o compromisso coletivo com a vida e com a dignidade humana. Em um cenário de desinformação e cortes orçamentários, o ato se torna um espaço essencial de diálogo e esperança.
“O Dia Mundial de Luta contra a Aids é o momento para falar sobre prevenção, tratamento, sorofobia, estigma, preconceito, etarismo e solidariedade. Essa manifestação tem como base os fundamentos do Sistema Único de Saúde”, conclui Américo Nunes.
Com o som do trio elétrico ecoando pelas ruas da zona leste, o Instituto Vida Nova reafirma seu compromisso com a resposta à Aids — uma ONG que não se cala, que celebra a vida e que segue dizendo, em alto e bom som: ninguém será deixado para trás.
Serviço:
Carreata Pela Vida – Unidos pela Saúde, Unindo Forças Contra a Aids
📅 Data: 1º de dezembro de 2025
🕐 Horário: 11h30 às 17h
📍 Percurso: São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Ermelino Matarazzo, Ponte Rasa e Vila Curuçá
🎵 Trio Elétrico: Unidos pela Saúde
👥 Público estimado: 5.000 pessoas
🏁 Ponto de partida e chegada: Instituto Vida Nova



