CARNAVAL EM SÃO PAULO: 62 AGENTES DO PROGRAMA MUNICIPAL DISTRIBUEM CAMISINHAS AOS FOLIÕES PRESENTES NO SAMBÓDROMO. A INTENÇÃO É DISPONIBILIZAR 100 MIL PRESERVATIVOS

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17/02/2007 – 07h30

Ao lado, as agentes de prevenção Silvana Takahashi e Renata de Souza Alves

Jogo de cintura. Foi o que demonstrou passistas e agentes de prevenção presentes ao Sambódromo de São Paulo na madrugada deste sábado (17/02), o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do grupo especial. As primeiras no sentido literal do termo; as agentes (ligadas ao Programa de DST/Aids da capital paulista), no entanto, no sentido figurado.

Enquanto o repórter da Agência de Notícias da Aids acompanhava o trabalho de Renata de Souza Alves e Silvana Takahashi, um homem cortejou uma das agentes de maneira bastante incisiva. De modo delicado, ele logo foi demovido da iniciativa pouco cortês. “Não foi o primeiro”, esclareceu, com bom-humor, uma das agentes de prevenção. As duas integram uma equipe de 62 pessoas que vão distribuir, até o final da madrugada deste domingo (18/02), 100 mil preservativos aos freqüentadores do Sambódromo paulista.

Trajando uma camiseta preta com a inscrição “Camisinha na Folia”, nome da campanha promovida pelo Programa Municipal durante o carnaval paulistano, Renata de Souza Alves e Silvana Takahashi abordavam os foliões que entravam ou saiam de uma das arquibancadas do Sambódromo de São Paulo. Ambas avaliaram que a aceitação das pessoas foi ampla, quase irrestrita. “Dificilmente alguém recusa [uma camisinha]”, garante Silvana Takahashi, que trabalha há cerca de cinco meses no Programa.

Renata de Souza Alves concorda e ressalta que, na maioria das vezes, os mais resistentes à idéia são as pessoas mais velhas, coincidentemente a faixa etária na qual a Aids mais cresceu nos últimos anos, como comprova os dados do Boletim Epidemiológico de 2006 (saiba mais).

Gil Casimiro, representante da articulação com a sociedade civil organizada do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo (e que coordenará os agentes nas duas noites de trabalho), repete a avaliação das suas jovens subordinadas. “A aceitação é muito boa. É uma ação muito importante. É uma oportunidade das pessoas se cuidarem”, avalia Gil.

“Hoje tanto mulher quanto homem pegam [as camisinhas distribuídas por agentes de saúde]. As pessoas já não tem vergonha”, comemora Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. “Não é uma campanha careta. A idéia é abordar [as pessoas] um pouco com essa idéia de festa. A idéia não é ficar naquele tom professoral, é entrar na brincadeira”, fala Abbate a respeito do teor da campanha, explícito em seu nome: “Camisinha na Folia”.

Sobre a efetividade desse tipo de campanha, Abbate é enfática: “Apenas isso não basta”. Na avaliação da psicóloga, a prevenção é um “trabalho cotidiano”. “As campanhas são legais porque permitem que você amplifique a mensagem, sensibilize um maior número de pessoas”, avalia. Embora não tenha dados ou números concretos, Maria Cristina Abbate explica que, nas semanas seguintes a esse tipo de campanha, há “um aumento da procura dos serviços”. Ou seja, mais pessoas buscam postos de saúde ou serviços especializados em DST/Aids para adquirir insumos (como camisinhas), realizar testes sanguíneos ou pedir mais informações sobre sexualidade.

Além da ação no Sambódromo paulistano, o Programa Municipal de DST/Aids, por meio do trabalho dos seus agentes, pretende distribuir 80 mil preservativos nas rodoviárias do Jabaquara e da Barra Funda, ambas na capital paulista. Segundo Abbate, em todas as ações desenvolvidas (no período) na maior metrópole do país, a distribuição dos preservativos deve alcançar um milhão de unidades.

Léo Nogueira

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