
A escola de samba Paraíso do Tuiuti levará à Sapucaí, neste Carnaval 2025, um enredo que promete emocionar, arrepiar e provocar. “Quem tem medo de Xica Manicongo?”, este é mote que contará a história da primeira travesti brasileira não indígena documentada na história, uma figura emblemática da resistência e da luta por identidade e liberdade. Perseguida pela Inquisição, Xica desafiou as normas impostas naquela época e tornou-se um símbolo de resistência da comunidade LGBTQIAPN+, especialmente para travestis e transexuais.

A Tuiuti deve chegar à avenida no terceiro dia de desfiles (terça-feira, 4) do Grupo Especial RJ. O samba-enredo, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, mergulha na trajetória de Xica, que chegou ao país ainda escravizada e encontrou acolhimento entre os Tupinambás, onde fortaleceu sua cultura e resistência. O desfile também deve destacar a luta da população trans e travesti brasileira por respeito, visibilidade e dignidade no país que pelo 16º ano seguido, lidera os índices globais de mortes violentas de pessoas trans. A maioria das vítimas são mulheres trans, jovens, negras e nordestinas.

Para fortalecer essa narrativa, o momento contará com a presença de importantes lideranças trans. Garantindo representatividade, nomes de peso estarão nos carros alegóricos, como as deputadas federais Érika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), além de personalidades como Bruna Benevides, Eloina dos Leopardos, Dani Balbi, Amanda Paschoal, Indianarae Siqueira, Renata Carvalho, Megg Rayara e Symmy Larrat.
Na última sexta-feira (21), inclusive, Érika Hilton compareceu e desfilou pela escola durante ensaio técnico.

A escola também investiu em um projeto social, desenvolvido em parceria com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), com objetivo de capacitar pessoas trans para atuarem no setor do carnaval. Participantes dessa iniciativa integrarão uma ala especial do desfile.
Com a honrosa homenagem, a Paraíso do Tuiuti promete um desfile memorável e arrebatador.
Quem foi Xica Manicongo

Xica Manicongo é considerada a primeira travesti do Brasil. Ela nasceu como escravizada e viveu em Salvador, onde trabalhava como sapateira na Cidade Baixa, de acordo com documentos encontrados em Lisboa, Portugal. O sobrenome Manicongo era um título usado pelos governantes do Reino do Congo, o que significa que seu nome pode ser traduzido como “Rainha ou Realeza do Congo”.
No século XVI, as normas de gênero eram muito rígidas, mas Xica se recusava a usar roupas de mulher e a se comportar “como uma mulher”. Por causa disso, foi acusada de sodomia e julgada pelo Tribunal do Santo Ofício, que punia quem desrespeitasse as regras da Igreja. Além disso, ela foi acusada de fazer parte de um grupo de “feiticeiros sodomitas”.
Xica foi condenada a ser queimada viva em praça pública e a ter seus descendentes desonrados até a terceira geração. Para tentar escapar dessa pena, teve que abandonar suas roupas e adotar o estilo de vida dos homens da época. A história de Xica Manicongo é um símbolo de resistência contra a opressão e uma marca na luta das pessoas trans e travestis.
Confira o horário dos desfiles das escolas que compõem o Grupo Especial no Rio de Janeiro:
Domingo (2)
- Unidos de Padre Miguel (22h)
- Imperatriz Leopoldinense (entre 23h30 e 23h40)
- Viradouro (entre 0h50 e 1h10)
- Mangueira (Entre 2h e 2h20)
Segunda-feira (3)
- Unidos da Tijuca (22h)
- Beija-Flor (entre 23h30 e 23h40)
- Salgueiro (entre 0h50 e 1h10)
- Vila Isabel (entre 2h10 e 2h40)
Terça-feira (4)
- Mocidade (22h)
- Paraíso do Tuiuti (entre 23h30 e 23h40)
- Grande Rio (entre 0h50 e 1h10)
- Portela (entre 2h10 e 2h40)
Confira o samba-enredo da Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2025:
Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista
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