02/03/2014 – 11h
O carnaval toma conta do Brasil e “Só a alegria vai contagiar”. Este é o tema do projeto de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e testagem de HIV lançado no sambódromo do Rio de Janeiro, com apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
Mulheres das comunidades da Mangueira e do Morro dos Macacos, funcionários públicos e universitários vão abordar os foliões nas entradas da Marquês de Sapucaí para distribuir 400 mil preservativos, além de panfletos educativos e revistas com as letras dos sambas-enredo.
A iniciativa é da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Veiga de Almeida, realizada em colaboração com a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a RioTur e organizações não governamentais.
“A campanha não fala só de prevenção à Aids, fala da vida, do cuidado que tem de ter com seu próprio corpo, fala que quando você previne a questão da DST/Aids também está se cuidando, e encaminha as pessoas, faz trabalhos com mulheres, com adolescentes, então é educação em saúde”, explica o coordenador do projeto, professor Márcio Tadeu, que atua nas duas universidades e trabalha com esses temas há 22 anos.
O grupo, que reúne 13 pesquisadores de diversas áreas, também esteve no lançamento para coletar dados para uma pesquisa sobre o uso do preservativo e a realização do teste diagnóstico para sífilis, HIV e hepatites virais pelos participantes do carnaval no sambódromo carioca.
Esta é a segunda fase da campanha, iniciada em novembro nos barracões e quadras das escolas de samba tanto do grupo especial como o de acesso. Após o carnaval, ainda terá prosseguimento nas comunidades, principalmente no entorno das escolas de samba Mangueira, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Unidos de Vila Isabel, com palestras, oficinas sobre educação sexual e treinamento.
O projeto também será adaptado, com ajuda de universitários africanos que estudam no Rio, para ser levado para Moçambique e Angola.
No Brasil, estima-se que mais de 718 mil pessoas entre 15 e 49 anos vivam com HIV e aproximadamente 150 mil não saibam que estão infectadas. A epidemia no Rio de Janeiro apresenta a segunda maior taxa de mortalidade por Aids no país, logo atrás do Rio Grande do Sul.
O estado é uma das cinco unidades federativas com maior número de pessoas vivendo com a doença.
"Discriminação é mais forte do que o vírus", afirma UNAIDS
E no embalo do carnaval, a ONU também celebra o Dia Mundial da "Zero Discriminação".
O UNAIDS vai levar para o sambódromo as borboletas coloridas, símbolo dessa iniciativa para inspirar a transformação e que está sendo disseminada principalmente nas mídias sociais, com sucesso em vários países.
Fotos de pessoas de comunidades vulneráveis, assim como autoridades e outras personalidades segurando as borboletas estão se espalhando pela Internet.
“A discriminação hoje é mais importante do que o vírus. A discriminação é mais forte do que o vírus da Aids”, avalia o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures.
“Nós observamos progressos superimportantes. Não existe paralelos na história, progressos científicos, principalmente na área biomédica e eu acho que a gente tem os instrumentos hoje para poder avançar mesmo em direção ao fim da epidemia, mas o desafio da discriminação é o maior impedimento nesse sentido”, afirma o coordenador do projeto de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e testagem de HIV.
Na opinião de Loures, o Brasil é o melhor país para formar uma liderança global para intensificar a luta contra a discriminação por ter um histórico de mais tolerância com a diversidade do que outras nações.



