26/02/2014 – 18h30
Atualizada dia 27/02/2014 – 14h20
Às vésperas do Carnaval, a cidade de Ubatuba , no litoral Norte de São Paulo, se prepara para receber aproximadamente 500 mil turistas nos dias de folia. Com uma população de cerca de 80 mil habitantes, o município atende em seu serviço especializado em tratamento de HIV/aids 210 adultos e nove crianças, número considerado baixo – estima-se que haja muito mais pessoas infectadas pelo HIV. “Vamos aproveitar o Carnaval para dar mais atenção a esse tema que, na verdade, precisa estar sempre em pauta”, diz a secretária da Saúde do município, Ana Emília Gapar.
Dentista, Ana Emília atua na gestão da saúde pública desde 1999, quando assumiu a Secretaria da Saúde de Taubaté. Também ocupou a mesma Pasta em Laogoinha, Campos do Jordão e Pindamonhangaba, antes de chegar a Ubatuba. Ela, que também é da diretoria do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) fez uma pausa em sua rotina de trabalho para nos dar a entrevista que segue:
Agência de Notícias da Aids: O que a Secretaria da Saúde vai botar na rua para fazer a prevenção de DST/aids nos dias de Carnaval?
Ana Emilia Gaspar: Equipes da Vigilância Epidemiológica e do ambulatório de DST/Aids vão para as ruas, praias e bailes distribuir preservativos e orientar os foliões. Vamos distribuir 50 mil camisinhas masculinas e 5 mil femininas. Temos também aproximadamente 5 mil preservativos masculinos específicos para adolescentes e 5 mil sachês de gel lubrificante, além de 50 mil folhetos educativos. Vamos trabalhar na região central do município a partir desta sexta-feira e estaremos lá até a terça de Carnaval. Teremos uma tenda na Avenida Iperoig, onde estaremos todos os dias das 20 horas até a meia noite. Até sexta, dia 27, abasteceremos de preservativos os quiosques das praias Grande, Maranduba, Itaguá e Perequê Açu. Já iniciamos a distribuição para os organizadores de blocos. Eles estão retirando os insumos na Secretaria de Saúde de Ubatuba desde o início da semana.
Quais são os principais problemas que o município de Ubatuba tem para atender à população nas áreas de saúde e bem-estar?
O município tem uma característica da sazonalidade, com 80 mil habitantes e, na alta temporada, chega a quase 1 milhão de turistas. Temos um problema histórico de saneamento básico, além dos problemas de saúde pública, como a hipertensão e a diabetes, que atingem todo o nosso país.
Que atitudes concretas a senhora tem tomado para resolver esses problemas?
Estamos investindo na reorganização da rede de urgência e emergência, em unidades de pronto atendimento e em pronto socorro. Investimos também na contratação de médicos para a rede básica de saúde , com 23 equipes de saúde da família. Reorganizamos a assistência farmacêutica, a central de regulação, o ambulatório de especialidades. E contratamos agentes de controle de vetores para o combate da epidemia de dengue. Além disso, captamos recursos para construção e reformas das unidades de saúde.
Em relação ao HIV, quais os principais desafios de sua gestão?
A questão do financiamento é o principal desafio. Atualmente, o município investe oito vezes mais do que o valor que recebe da esfera federal para o combate à doença. Portanto, ações para buscar mais recursos financeiros serão necessárias.
Algumas mudanças estão acontecendo no município. A coordenação do Programa Municipal de DST/Aids foi afastada. O que a secretaria pretende fazer com o serviço?
Estamos reorganizando o serviço existente para que realize melhor o acolhimento do paciente e a visita domiciliar, reduzindo a falta de adesão ao tratamento. Buscamos manter os profissionais capacitados participando das discussões regionais. A secretaria continuará investindo no Programa Municipal de DST/Aids para melhorar cada dia mais o atendimento da nossa população.
Existe algum canal direto de comunicação e participação das pessoas vivendo com HIV e a sua secretaria? Elas fazem, por exemplo, parte do Conselho de Saúde?
Atualmente não fazem parte do Conselho de Saúde. Hoje temos a ouvidoria, que é o canal que recebe as demandas da nossa população.
Um grande desafio da saúde como um todo é erradicar a transmissão vertical do HIV. Soubemos que as equipes do Programa de Saúde da Família do município receberam treinamento para testagem das gestantes. Os testes estão sendo feitos?
Os testes para as gestantes estão sendo realizados nas unidades. Intensificamos a educação permanente junto aos profissionais de saúde.
Quais as ações que a Secretaria pretende fazer este ano para a prevenção ao HIV?
Além da campanha de prevenção durante o Carnaval, vamos ampliar os testes nas unidades de saúde e ter mais ações no programa Saúde na Escola
Como foi dito naquele debate na Câmara, o mais importante é o atendimento e o bom serviço de saúde para a população. Como está a interlocução entre a Secretaria Estadual de Saúde e a sua gestão? O fato de existirem partidos diferentes (PSDB comanda o estado, PT, pela primeira vez, à frente do município) tem causado alguma dificuldade nesta comunicação?
Nós, do município, tentamos, por meio do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems – SP) manter um diálogo independente do partido político, entendendo que o SUS é um sistema que vem para garantir o direito de cada brasileiro à saúde de qualidade.
Redação da Agência de Notícias da Aids


