Candlelight: Luzes do Feminino Vivendo com HIV/aids – Um Ato de Resistência

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O laço vermelho, as velas, nossos corpos deitados no chão e a estátua de Iracema — personagem símbolo da obra de José de Alencar — testemunham, neste Candlelight realizado em Fortaleza, Ceará, a trajetória de mulheres que seguem vivendo, resistindo e brilhando apesar do preconceito, do estigma, do silêncio e das dores impostas pelo HIV/aids.

Cada chama representa uma história de coragem, cuidado, amor-próprio e esperança. Ser mulher vivendo com HIV não define limites — revela força. Somos mulheres que enfrentam julgamentos, quebram estigmas e transformam a própria existência em luz para outras vidas.

Este ato político pacífico, realizado no âmbito do XI Encontro Nacional do MNCP, é um grito pela vida de milhares de mulheres vivendo com HIV/aids no Brasil. Mulheres que enfrentam a pobreza, o racismo, a ausência de políticas públicas capazes de atender às suas necessidades, o abandono do poder público e a violência de gênero, fatores que nos tornam ainda mais vulneráveis.

Nossos corpos sociais, políticos e biológicos foram esquecidos ao longo destes mais de 40 anos de epidemia. Nascemos com HIV, crescemos, envelhecemos e, ainda assim, continuamos sendo vistas apenas como números epidemiológicos. Não há diferenciação adequada no tratamento, na assistência ou na prevenção que considere nossas especificidades e necessidades ao longo da vida.

Contudo, seguimos resistindo. Construímos, no MNCP, uma história de mulheres vivendo com HIV/aids iluminada pela conscientização, pela cidadania e pela defesa dos direitos humanos. Uma trajetória marcada pelo acolhimento, pela informação, pela solidariedade e pela luta por uma sociedade mais justa, livre de preconceitos e estigmas.

Cada conquista fortalece nossa voz coletiva e reafirma que viver com HIV é também viver com dignidade, protagonismo e esperança.

Juntas, formamos uma constelação de mulheres cuja luz não pode ser escondida. Brilhar é a nossa vocação. Somos pequenos pontos de luz que, unidos, formam uma imensa constelação: um conjunto de estrelas que resiste à maior epidemia que a humanidade já enfrentou.

Seguimos vivas. Seguimos brilhando. Seguimos resistindo até a cura definitiva do HIV.

Nair Brito, de Fortaleza – especial para a Agência de Notícias da Aids

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