Câncer de próstata: como o diagnóstico pode afetar a vida sexual e os relacionamentos, comunica O Globo

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O urologista Ricardo Brandina explica por que as dúvidas sobre sexualidade, intimidade e recuperação devem fazer parte das conversas sobre o tratamento da doença

Falar sobre saúde masculina nem sempre é fácil, especialmente quando o assunto envolve sexualidade, vulnerabilidade e mudanças na vida a dois. Um diagnóstico de câncer de próstata pode trazer dúvidas que vão além do tratamento em si: como ficará a vida sexual, o que muda na rotina e de que maneira essas questões serão compartilhadas com a parceria? São conversas que também fazem parte da experiência de quem recebe o diagnóstico, embora nem sempre encontrem espaço nas consultas.

No Brasil, o câncer de próstata deve registrar 77.920 novos casos em 2026, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Às vésperas do Novembro Azul, campanha dedicada à saúde masculina, a atenção ao tema passa também pela forma como homens lidam com essas incertezas e pelas informações que recebem para tomar decisões sobre o próprio corpo.

Para o urologista Ricardo Brandina, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina e professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR, questões como alterações na ereção, incontinência urinária e expectativas sobre a recuperação precisam fazer parte das conversas durante o acompanhamento médico.

“É importante que o paciente entenda as decisões sobre o tratamento e se sinta à vontade para esclarecer dúvidas, inclusive sobre a vida íntima”, afirma.

Sexualidade e relacionamentos

As possíveis mudanças na função sexual podem repercutir na dinâmica do casal. Conversar sobre o assunto antes do tratamento permite que o homem e sua parceria conheçam as possibilidades e compreendam que a evolução varia conforme cada caso.

“Quando há interesse do paciente, a participação da parceira ou do parceiro nas consultas pode ajudar a esclarecer dúvidas e alinhar expectativas. Essa presença, no entanto, deve respeitar sua privacidade e sua autonomia nas decisões sobre o tratamento”, diz o urologista.

O acompanhamento após a cirurgia

A alta hospitalar não significa o fim dos cuidados. Conforme as necessidades individuais, o acompanhamento pode incluir fisioterapia, reabilitação peniana e suporte psicológico. Esses recursos têm objetivos distintos e podem ser considerados de acordo com a evolução de cada caso.

Essa continuidade está prevista no ULTRA 360, programa desenvolvido por Ricardo que contempla diferentes etapas, da avaliação inicial à recuperação. “O tipo de suporte oferecido depende das necessidades de cada pessoa”, ressalta.

A retomada das atividades cotidianas e da vida sexual pode ocorrer em ritmos diferentes. A técnica cirúrgica é um dos aspectos a serem discutidos antes do procedimento, considerando as características do quadro e as alternativas disponíveis.

“A cirurgia robótica é uma das opções para o tratamento do câncer de próstata, mas sua indicação depende de uma avaliação individual, que considera os benefícios e as limitações de cada alternativa”, orienta Brandina.

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