Canadá e Bósnia entram em campo na Copa carregando realidades opostas no enfrentamento ao HIV

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Enquanto os canadenses apostam em uma das estratégias de prevenção mais consolidadas da América do Norte, a Bósnia ainda enfrenta dificuldades para dimensionar o tamanho real de sua epidemia

A Copa do Mundo FIFA 2026 continua revelando que, além das disputas por uma vaga na próxima fase, cada seleção chega ao torneio carregando desafios próprios fora das quatro linhas. Nesta sexta-feira (12), às 16h (horário de Brasília), Canadá e Bósnia e Herzegovina se enfrentam pelo Grupo B em um duelo que coloca frente a frente duas trajetórias bastante diferentes no enfrentamento ao HIV.

Se no futebol os canadenses chegam como favoritos, na saúde pública a diferença também chama atenção. De um lado, um país que investe há décadas em prevenção combinada, redução de danos e ampliação do acesso à testagem. Do outro, uma nação que ainda convive com lacunas importantes na vigilância epidemiológica e dificuldades para identificar o número real de pessoas vivendo com HIV.

Em uma partida paralela à que será disputada nos gramados, Canadá e Bósnia representam dois momentos distintos da resposta global à epidemia.

Aposta na prevenção combinada para manter vantagem na partida contra o HIV

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Sede da Copa do Mundo pela primeira vez em sua história, o Canadá chega no jogo com uma defesa organizada e um plano de jogo bem definido no enfrentamento ao HIV, mas também novos desafios que exigem atenção.

De acordo com o Unaids, cerca de 65 mil pessoas vivem com HIV no país, e aproximadamente 11% ainda desconhecem seu diagnóstico. Em 2022, foram registrados cerca de 1.900 novos casos.

A epidemia canadense é considerada concentrada e afeta principalmente homens que fazem sexo com homens (HSH), usuários de drogas injetáveis, populações indígenas, pessoas negras e migrantes. Os HSH representam 51% do total de infecções e metade dos novos diagnósticos registrados no país.

Apesar de manter uma posição confortável na tabela global da resposta ao HIV, o Canadá viu surgir um sinal de alerta nos últimos anos. Os diagnósticos entre mulheres cresceram significativamente após a pandemia de Covid-19. Atualmente, elas representam cerca de 25% das pessoas vivendo com HIV no país.

Um sistema que joga no ataque

Os primeiros casos de aids foram identificados no Canadá no início da década de 1980. Desde então, o país construiu uma estratégia baseada em prevenção combinada, acesso universal à saúde e políticas de redução de danos.

A estratégia canadense aposta em um jogo ofensivo. Campanhas de educação sexual, distribuição gratuita de preservativos, ampliação da testagem rápida, programas de redução de danos e incentivo ao uso da PrEP funcionam como peças fundamentais desse esquema tático.

O Canadá também apresenta resultados próximos das metas globais do Unaids. Cerca de 89% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu diagnóstico, 85% das diagnosticadas estão em tratamento e 95% das que utilizam terapia antirretroviral alcançaram a supressão viral.

Os números mostram uma equipe bem organizada na defesa e no ataque da epidemia, embora especialistas alertam que ainda existem desafios importantes relacionados ao acesso aos serviços de saúde em comunidades indígenas, regiões remotas e populações socialmente vulneráveis.

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Se o Canadá entra em campo com estatísticas detalhadas e uma estratégia consolidada, a realidade da Bósnia e Herzegovina é bastante diferente.

O país registra oficialmente cerca de 490 pessoas vivendo com HIV, mas especialistas acreditam que esse número pode ser até três vezes maior. O principal problema está justamente na falta de dados consistentes, que dificulta compreender a real dimensão da epidemia.

O Unaids não mantém registros atualizados sobre a situação epidemiológica no território bósnio, e o sistema nacional de vigilância ainda enfrenta limitações importantes. Na prática, é como disputar uma partida sem conseguir enxergar claramente o placar.

Entre os fatores que ajudam a explicar essa realidade estão o envelhecimento populacional, a intensa emigração de jovens e as dificuldades estruturais herdadas dos impactos sociais e econômicos da Guerra da Bósnia, ocorrida entre 1992 e 1995.

Pesquisas apoiadas pelo Unicef apontam que as maiores taxas de infecção estão entre jovens de 15 a 24 anos, o que tem motivado novos estudos para compreender comportamentos de risco e ampliar as estratégias de prevenção.

Testagem ainda é um desafio

Desde o primeiro caso registrado, em 1986, a Bósnia desenvolve programas de educação e combate ao estigma relacionado ao HIV. Em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, o país mantém uma estratégia nacional de prevenção desde 2006.

Atualmente existem 19 centros de aconselhamento e testagem voluntária e confidencial em funcionamento. Ainda assim, o número de pessoas testadas permanece baixo, dificultando diagnósticos precoces e um monitoramento mais preciso da epidemia.

Muito além dos 90 minutos

Quando a bola rolar nesta sexta-feira, Canadá e Bósnia disputarão pontos importantes na corrida por uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo. Fora dos gramados, porém, a partida continua.

De um lado, uma seleção que avançou na ampliação do diagnóstico, do tratamento e da prevenção. Do outro, um país que ainda busca fortalecer sua capacidade de vigilância e ampliar o acesso à testagem.

São estratégias diferentes, desafios distintos e realidades quase opostas. Mas ambos seguem disputando uma das partidas mais importantes da saúde global: garantir que prevenção, diagnóstico e tratamento cheguem a todas as pessoas que precisam deles.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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