11/12/2006 – 17h
A campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, protagonizada pelos ativistas Cazu Barroz e a Beatriz Pacheco, transmitida em rede nacional de televisão, foi positiva, segundo eles. Barroz, da Federação de Bandeirantes do Brasil no Rio de Janeiro, conta que as pessoas pedem camisinhas para ele. Já Pacheco, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas no Rio Grande do Sul, comenta que recebe mais afeto de seus amigos. Ambos também são mais assediados com mensagens no Orkut.
“Esperava discriminação, mas dessa vez não aconteceu. Fui ao bairro da Lapa aqui no Rio de Janeiro, lugar da boemia carioca, para ver o que acontecia e fui muito bem recebido. Ando agora com uma caixa de camisinhas, todos me pedem uma”, diz Cazu Barroz, ativista, ator e escritor que vive com o HIV há 17 anos.
Segundo ele, pelo menos 200 mensagens por dia de apoio são enviadas em seu e-mail e Orkut.
“Muitos falam que fiz um ato de coragem ao me expor na TV, mas digo que é um ato de cidadania contra o preconceito. Os corajosos são aqueles que praticam discriminação contra soropositivos”, acrescenta.
Invasão Virtual
Enquanto Cazu Barroz foi mais assediado nas ruas, a advogada e ativista Beatriz Pacheco, que vive com o HIV há 9 anos, recebeu mais carinho e afeto de amigos próximos, além de vizinhos do edifício em que reside.
“Muitas senhoras me perguntaram se eu realmente tenho Aids, ainda acham que fiz uma encenação. Mas até pessoas que não tinha notícias há tempos me ligaram”, conta.
Beatriz Pacheco ganhou fama no mundo virtual, o Orkut. Até o momento, ela possui em sua página mais de 6 mil recados e 860 amigos (o limite são de mil pessoas). Cazu possui 340 amigos e pouco mais de mil e cem mensagens.
Conheça mais sobre os ativistas
Cazu Barroz
O ativista Jonair Lemos, ator profissional mais conhecido como Cazu Barroz, é soropositivo há mais de 15 anos. Aos 16 anos, Cazu se infectou com o vírus do HIV. Este fato não o abalou e hoje ele é um importante ativista no movimento social de luta contra a Aids, coordenando a Federação de Bandeirantes do Brasil no Rio de Janeiro.
Quando criança, Barroz, atualmente com 34 anos, brincava com os pertences do seu pai e encontrou um preservativo. Curioso, ele perguntou para que servia, mas foi repreendido e mal instruído. “É para usar com prostitutas”, disse seu pai. A partir daquele dia, Cazu criou um distanciamento em relação à camisinha e iniciou sua vida sexual sem a aderência a esse método preventivo.
Beatriz Pacheco
Beatriz Pacheco, advogada, nasceu no Rio Grande do Sul. Tem 57 anos e vive com HIV há 9 anos. Beatriz é advogada e desenvolve ações direcionadas para a prevenção da aids em mulheres e pessoas da terceira idade. É mãe de quatro filhos e avó de três netos.
Rodrigo Vasconcellos


