Mobilização nacional ocorre neste sábado; campanha inclui vacinas contra doenças que podem causar complicações graves e até levar à morte
A Campanha de Multivacinação 2026, que tem como objetivo atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos, teve início no dia 3 de agosto e vai até 1º de setembro. Neste sábado, ocorrerá em todo o país o Dia D, quando as unidades de saúde estarão abertas para ampliar a cobertura vacinal e alcançar quem está com doses em atraso.
“Tem duas coisas que ajudam o envelhecimento da população, uma é vacina, outra é água potável. Sem essas vacinas, voltaremos a ver rotineiramente doenças que já mataram muito. Perder a oportunidade de vacinar sua criança ou seu adolescente é colocá-lo em risco para uma doença grave.”, alerta a pediatra Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Entre as doenças que podem ser evitadas pela vacinação estão formas graves de tuberculose, hepatite, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, pneumonia, meningite, gripe, covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, catapora, infecções pelo HPV e dengue.
“Queria lembrar os atuais pais que eles não tiveram paralisia infantil, não tiveram meningite, não tiveram sarampo porque um dia os seus pais saíram de casa, às vezes em situações muito mais difíceis e foram te vacinar. Não negue ao seu filho um direito que seu pai não te negou. A vacina protege a criança e a proteção individual gera proteção coletiva na escola, na igreja, no local de lazer e com isso protege todo o Brasil.”, diz o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Embora a campanha tenha como público-alvo crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde informa que pessoas de outras faixas etárias podem aproveitar para colocar a imunização em dia. Para se vacinar, a orientação é levar um documento e o cartão de vacinação. Lembrando que a ausência da caderneta não é um impeditivo para se vacinar.
“No sábado, as unidades de saúde vão estar focadas em vacinar as crianças e os adolescentes, mas podem checar a situação vacinal do pai, da mãe, do responsável e, dependendo de como estiver a atividade, já vacina no próprio sábado, ou orienta o pai e a mãe como tem que voltar para se vacinar. E no caso de cidades como São Paulo, São Bernardo e Guarulhos, que estão em uma grande mobilização para impedir surto de sarampo, certamente as unidades de saúde vão vacinar contra o sarampo todos de seis meses até 59 anos que passarem por lá”, afirma o ministro.
Confira as vacinas que estarão disponíveis e a indicação para cada uma, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
BCG
Protege contra formas graves e disseminadas da tuberculose e tem efeito protetor contra a hanseníase. Indicada em dose única ao nascer. Pode ser aplicada em crianças menores de 5 anos de idade, caso tenham perdido o prazo inicial.
Hepatite B recombinante
Protege contra as hepatites B e D. O SUS aplica uma dose ao nascer e continua com a vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses de vida. Quem já completou o esquema vacinal na infância, não precisa de novas doses. Se houver atraso, apenas se completam as doses faltantes. Em adolescentes e adultos não vacinados, o esquema consiste em três doses, aplicadas com intervalos de 0, 1 e 6 meses.
Penta
Protege contra difteria, tétano, coqueluche, infecções causadas pelo H. influenzae b e hepatite B. O esquema vacinal consiste em três doses aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. Se a criança perder o prazo, não é necessário reiniciar o esquema, basta aplicar a dose faltante para dar continuidade.
Polio inativada (VIP)
Protege contra a poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil. O esquema vacinal é composto por cinco doses para crianças menores de cinco anos, substituindo a antiga vacina oral em gotas. São três doses aos 2, 4 e 6 meses de vida, seguidas de um reforço aos 15 meses e outro aos 4 anos de idade. Crianças menores de 5 anos com o esquema vacinal incompleto devem apenas completar as doses que faltam.
Rotavírus humano
Protege contra doenças diarreicas agudas causadas pelo rotavírus. O esquema é exclusivo por via oral, composto por duas doses. A primeira aos 2 meses de idade e a segunda, aos 4 meses. Caso haja atraso, a primeira dose pode ser aplicada até antes de a criança completar 12 meses e a segunda, até antes dos 24 meses, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Pneumo 10-v e 20-v
Ambas protegem contra doenças pneumocócicas invasivas, como pneumonia e meningite. Atualmente, o esquema para menores de 5 anos consiste em uma dose de Pneumo 20 aos 2 meses, uma dose de Pneumo 10 aos 4 meses e um reforço de Pneumo 20 aos 12 meses. Em caso de atraso na vacinação, o esquema dependerá da idade da criança quando a primeira dose for aplicada.
Meningo C
Protege contra doenças meningocócicas causadas pelo sorogrupo C. O esquema vacinal consiste em duas doses aos 3 e 5 meses de idade. Crianças em atraso vacinal podem atualizar seus esquemas antes de completarem 5 anos.
Influenza
Protege contra a gripe. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos devem ser vacinadas todo ano. Quem vai receber a vacina pela primeira vez deve tomar duas doses com 30 dias de intervalo. As que já tomaram em anos anteriores, recebem apenas uma dose por ano. O imunizante também é recomendado anualmente para pessoas a partir de 60 anos.
Covid-19
Protege contra a formas graves de Covid-19. A vacina está disponível para crianças de 6 meses até menos de 5 anos, pessoas a partir de 60 anos e gestantes. O esquema varia de acordo com a faixa etária. Para crianças, a imunização é recomendada aos 6 meses de vida. São três doses, sendo a segunda após um intervalo de quatro semanas e a terceira, após oito semanas da segunda dose. Idosos devem receber duas doses anuais, com intervalo de 6 meses entre elas e gestantes, uma dose, em qualquer momento da gravidez, independentemente do histórico vacinal. Pessoas de 5 a 59 anos de idade, sem imunização prévia também podem se vacinar. Nesse caso, é aplicada apenas uma dose.
Febre amarela
Protege contra a febre amarela. O esquema vacinal consiste em duas doses para crianças (aos 9 meses e um reforço aos 4 anos) e dose única para pessoas de 5 a 59 anos que nunca se vacinaram. Quem recebeu uma dose antes dos 5 anos precisa de um reforço.
Meningo ACWY
Protege contra doenças meningocócicas causadas pelos sorogrupos A, C, W-135 e Y. A vacina é oferecida para o reforço de crianças aos 12 meses de idade e para adolescentes de 11 a 14 anos. Crianças que perderam o reforço aos 12 meses podem tomar a ACWY até antes de completarem 5 anos.
Tríplice viral
Protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O esquema vacinal é composto por duas doses, sendo a primeira aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 meses. Crianças a partir de 5 anos até adultos de 29 anos devem receber duas doses da vacina, com intervalo mínimo de 30 dias, caso não tenham sido vacinados no período recomendado. Adultos de 30 a 59 anos que não tenham comprovação de vacinação prévia devem receber uma dose. Para evitar a reintrodução do sarampo no país, especificamente nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo, a vacinação contra o sarampo é recomendada para pessoas de 6 meses a 59 anos de idade, independentemente da situação vacinal anterior. Neste caso, crianças de 6 a 11 meses podem receber uma dose antecipada da vacina, conhecida como “dose zero”. Essa aplicação não substitui as duas doses previstas no calendário vacinal, que devem ser administradas aos 12 e 15 meses.
Varicela
Protege contra catapora. O esquema de vacinação é composto por duas doses: a primeira aos 15 meses e a segunda aos 4 anos. Em caso de atraso vacinal, a imunização pode ser feita até os 6 anos de idade.
DTP
Protege contra difteria, tétano, coqueluche. O esquema de vacinação para rotina é composto por duas doses: a primeira aos 15 meses de vida e a segunda aos 4 anos.
Hepatite A
Protege contra a hepatite A. O esquema vacinal consiste em dose única aplicada aos 15 meses de idade, podendo ser administrada em crianças até antes de completarem 5 anos, caso tenham perdido a idade oportuna.
dT
Protege contra difteria e tétano. Recomendada como dose de reforço da DTP para adolescentes de 14 anos. Depois disso, recomenda-se a aplicação de um reforço a cada 10 anos. Pessoas com esquema vacinal incompleto apenas precisam receber as doses que faltam para completar três doses com o componente tetânico. Não vacinados ou pessoas com histórico desconhecido devem receber três doses no total, com um intervalo ideal de 60 dias entre elas.
HPV 4
Protege contra doenças causadas pelo papilomavírus humano, incluindo câncer de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. O Ministério da Saúde adota o esquema de dose única para adolescentes de 9 anos. Em caso de atraso, é possível se vacinar até os 14 anos. Até 31 de dezembro, jovens de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante na idade recomendada também podem se vacinar.
Dengue tetravalente
Protege contra a dengue causada pelos sorotipos 1, 2, 3 e 4. No SUS, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em um esquema de duas doses, com 90 dias de intervalo entre elas.




