
Ele tem quatro décadas de ativismo, é formado em Letras e Pedagogia, pós-doutor em Educação LGBTI+, está à frente da Aliança Nacional LGBTI+, entre outras áreas e lutas que se dedica incansavelmente: Toni Reis, é um vetereno do movimento LGBT+ brasileiro.
Na grande live do Camarote Solidário 2024, Toni conversou com a diretora desta agência, Roseli Tardelli, sobre sua luta, conquistas, o orgulho de pertencer a maior Parada LGBT+ do mundo e também sobre os projetos que vêm tocando em prol da comunidade LGBT+, especialmente no Brasil.
O ativista luta pelos direitos das minorias desde 1984, iniciou sua trajetória em parceria com o professor Luiz Mott e o Grupo Gay da Bahia, desde então vem se dedicando à militância. Ele credita a Mott os ensinamentos sobre disciplina, manutenção de uma rotina e respeito às opiniões alheias, inclusive de adversários.
Diplomata, Toni diz que é fundamental dialogar com todos os setores da sociedade e sempre buscar a excelência em suas ações. “Minha mãe, uma heroína, dizia para mim: ‘Meu filho, nunca foque nos problemas, foque sempre em duas soluções. Para um problema, duas soluções, e se não estiver solucionado, esqueça que não existe problema’. Com relação ao ativismo, tive a oportunidade de morar na Europa por quatro anos, onde aprendi muito com o movimento europeu. Adaptei tudo isso para a nossa cultura brasileira.”
“A academia me ajuda muito, mas também toda a militância e experiência fora do Brasil”, destaca.
Na contrapartida, o ativista não esquece o cuidado com a família e o apoio do seu companheiro com quem divide a vida, responsabilidades e as alegrias do dia a dia. “Vamos celebrar bodas de oliveira, nos conhecemos no metrô de Londres, e estamos casados há 34 anos.”
Toni relembrou na live que foi uma jornada de muita luta para chegar até aqui. O casal chegou a ser preso pela Polícia Federal, e a mãe de Toni propôs casar com seu parceiro para que obtivessem residência fixa. “Conseguimos mudar o estatuto da Polícia Federal e fomos o primeiro casal gay a se casar após a decisão da Suprema Corte (STF) de legalizar o casamento homoafetivo no Brasil”, compartilha.
Paternidade
Pai de três filhos, um de 23 anos, uma filha de 21 e outro filho de 19, com eles mantém uma relação de muito amor e afeto, além das conversas das mais casuais às mais profundas, discutindo temas como política, filosofia, cultura, etc.
Segundo o militante e educador, todos eram crianças em situação de vulnerabilidade. Hoje, todas estão bem, livres, independentes, trabalhando e estudando. Ou seja, progredindo!
“Eu fui um exilado da homofobia, não conseguia me sentir cidadão pleno no Brasil. Sempre li muito e entendi que isso era a cultura [do país], então fui para a Europa onde encontrei o grande amor da minha vida, com tudo o que tinha [de economia] paguei a passagem, me sobrou dez dólares. Dormi na rua, busquei um lugar para ficar nas igrejas, um lugar para comer, procurei abrigos até que consegui um, trabalhei no circo, fui pedreiro, pintor, entregador, etc. É muito importante a gente ter determinação, constância e disciplina. Sempre lembro da minha mãe, sou muito resiliente.”
Manuais de Direitos LGBTI+
Através da Aliança LGBTI+, Toni idealizou uma série de manuais que discorrem sobre direitos da comunidade e oferecem apoio para a orientação e compreensão das necessidades das pessoas LGBTs. Com papel de conscientização e educação social, os materiais têm sido amplamente utilizados por quem busca conhecimento.
“A ausência de informação leva ao preconceito. Todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, e devemos lutar contra qualquer forma de discriminação. Denunciar é fundamental, pois as pessoas aprendem, se não pelo amor, mexendo no bolso. [Não podemos tolerar] o racismo, machismo, LGBTfobia, sorofobia… precisamos lutar.”
Sobre o Camarote

O Camarote Solidário existe desde 2002, teve um intervalo de três anos, em 2013 e 2014, quando deu lugar ao Trio Solidário, e em 2020 ano que não aconteceu por conta da pandemia de covid-19. Até 2023, mais de 25 ONGs foram contempladas com as doações. Em sua última edição, o Camarote Solidário arrecadou 5 toneladas de alimentos e 11 instituições foram contempladas.
O Camarote Solidário 2024 tem o apoio do Senac e SESC de São Paulo, das farmacêuticas GSK ViiV Healthcare, Gilead, Abbott, MSD e Janssen, da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo, da Unesco e da Galeria 2001.
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Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista
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