Camarote Solidário consolida 23 anos de acolhimento, prevenção e solidariedade na maior Parada LGBT+ do mundo

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Em sua 23ª edição, iniciativa da Agência Aids reuniu ativistas, gestores públicos, empresas e organizações sociais durante a maior Parada LGBT+ do mundo

A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo levou milhões de pessoas à Avenida Paulista neste domingo (7), em uma celebração marcada pela diversidade, pelo orgulho e pela defesa dos direitos humanos. Em meio à programação, a Agência de Notícias da Aids realizou a 23ª edição do Camarote Solidário, iniciativa que há mais de duas décadas une ativismo, prevenção e solidariedade em um dos maiores eventos LGBTQIA+ do planeta.

Criado pela jornalista Roseli Tardelli, o Camarote Solidário nasceu com o objetivo de ampliar a visibilidade da resposta comunitária ao HIV/aids e arrecadar recursos para organizações que atuam diretamente com populações em situação de vulnerabilidade. Ao longo dos anos, o projeto se consolidou como um espaço de encontro entre representantes da sociedade civil, gestores públicos, profissionais da saúde, empresas parceiras e ativistas históricos da luta contra a aids.

Um espaço de encontro e articulação

O Camarote Solidário se tornou um ambiente de diálogo e construção de parcerias. Para Reinaldo Bulgarelli, secretário-executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, o diferencial do espaço está justamente na pluralidade dos participantes.

“É um lugar de encontro com pessoas plurais. A gente tem artistas, lideranças políticas, lideranças do movimento LGBTI+, o mundo empresarial, as políticas públicas e organizações das mais variadas. Tem sido um espaço importante para fortalecer essa luta contra a discriminação e para pensar a questão do HIV e da aids”, afirmou.

Segundo Bulgarelli, a participação das empresas é fundamental para ampliar o alcance da causa.

“São causas que precisam ainda de mais atenção da sociedade, das marcas, das organizações e das pessoas. Aqui a gente vem com nossas marcas, mas somos nós, pessoas, apoiando e mostrando compromisso com esse tema”, destacou.

Prevenção em destaque

A prevenção ao HIV e às ISTs também esteve presente nas ações desenvolvidas durante o evento. A Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo participou do Camarote Solidário apresentando estratégias que aproximam a população dos serviços de prevenção.

Entre as novidades esteve o Ponto de Informação de Prevenção (PIP), um totem interativo que permite localizar serviços de saúde próximos ao usuário.

“Ele é um ponto de informação de prevenção em que a pessoa rapidamente consegue georreferenciar os serviços que estão mais próximos dela. Se alguém clicar ali hoje, já vai saber imediatamente onde encontrar serviços de PrEP, PEP e testagem”, explicou Cristina Abbate, coordenadora da Coordenadoria.

O equipamento também oferece orientações sobre prevenção combinada, vacinação, uso de preservativos e acesso às profilaxias disponíveis no SUS.

Outro destaque da ação foi o armário de auto testes de HIV, disponibilizado no espaço da Coordenadoria. A iniciativa busca ampliar o acesso ao diagnóstico por meio da retirada gratuita dos kits, permitindo que as pessoas realizem o teste de forma segura, sigilosa e no momento que considerarem mais adequado.

Para Cristina, a participação da Secretaria no Camarote Solidário vai além da divulgação de serviços.

“É sempre uma oportunidade de manter a parceria com a Agência de Notícias da Aids e divulgar o trabalho que a Secretaria da Saúde faz aqui na cidade, principalmente na área da prevenção. É também um momento de congraçamento com nossos parceiros e com as organizações da sociedade civil”, afirmou.

Solidariedade que chega a quem mais precisa

A arrecadação de alimentos para instituições sociais continua sendo uma das principais marcas do Camarote Solidário. Em 2025, a iniciativa arrecadou cerca de sete toneladas de alimentos. Neste ano, as contribuições foram realizadas por meio de QR Codes disponibilizados aos convidados.

Presidente do Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo (FOAESP), Rodrigo Pinheiro destacou o impacto direto dessas ações na vida de centenas de famílias.

“A gente sabe o quão importante é essa participação. Conseguimos contribuir com uma população mais vulnerável, que precisa desses alimentos. Isso ajuda várias famílias que estão em situação de vulnerabilidade social”, afirmou.

A visão é compartilhada por lideranças comunitárias que participam da rede de solidariedade construída ao redor da Agência Aids. A embaixadora da ONG Amor Se Doa, Elza Paulina de Souza, ressaltou que a união entre diferentes organizações amplia o alcance das ações sociais.

“Onde existe amor não existe separação. Onde existe amor não existe preconceito, não existe divisão. É acolhimento, união, paciência e empatia. A separação só tende a enfraquecer a nossa humanidade”, afirmou.

Parceiros históricos da causa

O Senac São Paulo esteve entre as instituições apoiadoras da 23ª edição do Camarote Solidário. Para Eduardo de Oliveira, gerente de Comunicação e Relações Institucionais da instituição, a parceria com a Agência Aids ultrapassa o evento e faz parte de uma trajetória voltada à educação e à conscientização.

“É uma parceria voltada à educação dos jovens para a prevenção e a conscientização. O Camarote é mais um desses momentos de celebração, mas também de potencializar a conscientização. Para nós é muito importante estar aqui presente e apoiar institucionalmente essa iniciativa”, afirmou.

Ele destacou ainda que a mobilização da sociedade civil é essencial para enfrentar desafios relacionados ao HIV/aids.

“Existem temas fundamentais que demandam atenção de todos. Não podemos esperar que o poder público faça tudo sozinho. É extremamente necessário que haja mobilização da sociedade em prol dessas causas”, disse.

Acolhimento como marca registrada

Se uma palavra resume a experiência do Camarote Solidário para muitos dos participantes, essa palavra é acolhimento.

“Eu sou uma fã do Camarote. Acho que é um dos lugares em que mais me sinto bem na vida. Ao mesmo tempo em que existe a proposta de arrecadar alimentos, existe também a proposta de a gente se alimentar da nossa energia, de encontrar pessoas que acreditam na mesma coisa que você”, afirmou Marta McBritton, do Instituto Cultural Barong.

Ao ser convidada a definir o espaço em apenas uma palavra, ela não hesitou:

“Acolhimento.”

A mesma percepção é compartilhada por Jenice Pizão, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). Para ela, o Camarote Solidário representa um espaço onde as pessoas podem existir livremente, sem julgamentos.

“Sempre é uma delícia estar aqui. Sempre é uma partilha de muito carinho, muito cuidado com as pessoas e muita possibilidade da pessoa ser o que ela quer ser. Tem espaço para todos com muito respeito. Isso, na minha avaliação e na avaliação do nosso movimento, é respeitar e fortalecer as diversidades”, afirmou.

Uma tradição que segue fortalecendo a resposta ao HIV

Frequentador assíduo do evento, o médico sanitarista Fábio Mesquita acredita que o Camarote Solidário representa a força da mobilização social construída ao longo de décadas de enfrentamento à epidemia.

“Essa é a Parada LGBTQIA+ mais importante do planeta Terra. Nossa luta não acabou, ela continua muito importante, mas esse é um sinal de força política e de compromisso com a diversidade e os direitos das pessoas”, afirmou.

Ao completar 23 edições, o Camarote Solidário reafirma seu papel como um dos espaços mais simbólicos da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Em meio à celebração, o evento demonstra que solidariedade, prevenção e cidadania continuam sendo pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e acolhedora.

Neste ano, o Camarote Solidário da Agência Aids contou com o apoio do Senac São Paulo, SESC São Paulo, das farmacêuticas GSK ViiV Healthcare e Gilead Sciences, da DKT do Brasil, da Abbott, da Prefeitura de São Paulo, da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo e do Ministério da Saúde.

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