Brasileiros compartilham em Paris experiências exitosas no enfrentamento à tuberculose

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

No último turno do terceiro dia da Conferência da Union, em Paris, o Brasil ganhou destaque com a apresentação da cientista social Carla Almeida, sobre as especificidades e lições aprendidas no atendimento a tuberculose no país, durante a fase aguda da pandemia da Covid-19.

Carla, que além de ativista é mestranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe dados coletados entre 202 pacientes de TB, sendo a maioria em tratamento. O material levantado entre 2020 e 2021, mostrou o impacto da Covid-19 no diagnóstico e tratamento da tuberculose, como o distanciamento entre serviços de saúde e pacientes, a falta de informações e a dificuldade de acesso a testagem e, consequente, a toda a linha de cuidado, para a TB.

O Brasil foi um dos países mais atingidos pela Covid-19 e figura, há muitos anos, na lista dos com mais alta carga de TB. Ela aponta que neste período se evidenciou mais a invisibilidade da doença nas comunidades e houve a remoção de profissionais da saúde especializada para atendimento da Covid-19, deixando muitos serviços a descobertos.

Outro dado apontado, mostra que os entrevistados entendem que o rastreamento de contatos de pacientes com TB precisa melhorar, mas também reconhecem que a saúde dos cuidadores e profissionais precisa ter igualmente maior atenção.

O painel também teve a participação da Nigéria, Moçambique, Cazaquistão e África do Sul.

Segunda doença mais letal no mundo, a tuberculose voltou a crescer no Brasil em 2022. Foram cerca de 78 mil casos, aumento de 4,9% em comparação a 2021. Em média 14 brasileiros morrem por dia com a doença, que registrou recorde de mortes no país em 2021: 5 mil óbitos. Os dados são do Ministério da Saúde.

Até 2018, a cobertura vacinal do imunizante que previne contra a tuberculose, a BCG, tinha cobertura vacinal acima de 95%. Após 2019, o índice caiu para menos de 88%. A vacina é aplicada logo após o nascimento e protege contra formas graves da doença.

Comunicação

O jornalista e professor Liandro Lindner também participa da Conferência e apresentou um pôster intitulado “Quem e como. A mídia abordando a Tuberculose no Brasil”. O material é parte do estudo maior em andamento do Grupo de Pesquisa e Comunicação Científica, Acessível (GECCA), da PUC SP, que analisa a forma com que a mídia massiva transmite informações científicas no Brasil.

O trabalho apresentado é um levantamento em jornais e revistas impressos nos últimos três anos, onde se mostra que a tuberculose teve presença mais constante na mídia, em várias ocasiões superior as menções a aids e perdendo apenas para a Covid, em visibilidade. Também foi apontado que ficou evidente que os gestores públicos e pesquisadores são a grande fonte quando o assunto é TB. Os pacientes e seu entorno têm pouca participação nas matérias jornalísticas, muitas vezes se restringindo a pequenas falas, sem grande valorização editorial.

Em relação a criação de fake news, o trabalho atribui a proliferação a tentativa de tornar popular um tema difícil. “Ao se ler uma notícia científica, se tenta adaptá-la ou editá-la, para repassar, mas isso acaba gerando uma outra notícia, muitas vezes distorcida e falsa”, afirma o pesquisador.

Liandro, que representou a ArtTB na conferência, considera que “o letramento sobre TB para comunicações massivas passa pela forma de transmissão, valorizando as culturas e deixando espaços para dúvidas serem respondidas. O material reunido, ao longo de mais dois anos resultará numa publicação entre outros produtos”, finalizou.

Redação da Agência de Notícias da Aids

 

Apoios