O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (16), a Campanha Nacional de Enfrentamento à Sífilis, com o tema “Sífilis tem cura – Faça o teste, trate-se e previna-se”. A iniciativa chega acompanhada de boas notícias: segundo o novo Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, o Brasil registrou redução de 2.677 casos de sífilis congênita nos últimos três anos, sinalizando avanços no controle da infecção.
A campanha, lançada durante o Outubro Verde, reforça o acesso gratuito à testagem, ao diagnóstico e ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), e tem como foco principal jovens de 15 a 30 anos, gestantes e suas parcerias sexuais.
“A sífilis é uma infecção prevenível, tratável e curável. O desafio é garantir o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno, especialmente entre gestantes durante o pré-natal. Os dados mostram que estamos avançando e que o trabalho conjunto está salvando vidas”, destacou Pâmela Cristina Gaspar, coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.
Casos em queda e estabilidade nacional
O boletim revela que, em 2024, o país notificou 256.830 casos de sífilis adquirida, com taxa de 120,8 casos por 100 mil habitantes. Foram também 89.724 casos em gestantes e 24.443 de sífilis congênita, com 183 óbitos. Apesar de ainda altos, os números mostram tendência de estabilidade e controle, com redução progressiva da sífilis congênita desde 2022.
As Regiões Sudeste e Nordeste concentram as maiores taxas de sífilis congênita. Em 2024, o Rio de Janeiro registrou a maior taxa de detecção de sífilis em gestantes (68,3 casos por mil nascidos vivos), e o Tocantins, a maior incidência de sífilis congênita (17,8 por mil nascidos vivos).
Ver essa foto no Instagram
Ampliação de testes e fortalecimento da prevenção
Para ampliar o diagnóstico, o Ministério da Saúde aumentou em 40% a oferta do Teste Rápido Combo HIV/Sífilis, que detecta as duas infecções simultaneamente. São 6,5 milhões de unidades distribuídas em 2025, um investimento de R$ 9,2 milhões.
Segundo o boletim, as ações também incluem a inclusão de populações em situação de vulnerabilidade como prioritárias para o uso do teste rápido, visando ampliar o acesso equitativo ao diagnóstico e tratamento.
Brasil Saudável e Pacto Nacional: um compromisso até 2030
A eliminação da transmissão vertical da sífilis — quando a infecção é passada da gestante para o bebê — é uma das metas do Programa Brasil Saudável, lançado em 2024, e do Pacto Nacional pela Eliminação da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis, Hepatite B e Doença de Chagas.
Desde a criação do processo de Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical, 151 municípios com mais de 100 mil habitantes já receberam algum tipo de reconhecimento, sendo 58 pela sífilis congênita — 3 com certificação de eliminação, 10 com selo ouro, 45 com selo prata e 13 com selo bronze. Os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina também foram certificados com o selo bronze.
Redação da Agência de Notícias da Aids




