Brasil integra pesquisa internacional que busca novos caminhos para a cura da hepatite B

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Estudo liderado pela Universidade Johns Hopkins acompanhará 600 pessoas em quatro países; 150 participantes serão recrutados no Brasil

O Brasil integra uma pesquisa internacional que pretende ampliar o conhecimento sobre a hepatite B e identificar novos caminhos para tratamentos capazes de levar à cura da infecção. O estudo vai acompanhar 600 pessoas em quatro países e terá a participação de 150 voluntários brasileiros, incluindo pacientes que vivem com hepatite B e pessoas com coinfecção pelo vírus da hepatite B e pelo HIV.

O consórcio é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne pesquisadores do Brasil, Índia, Senegal e Uganda. No país, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).

A proposta é investigar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em pessoas de diferentes regiões do mundo e de que maneira o sistema imunológico responde à infecção. Os pesquisadores também querem compreender por que a evolução da doença varia entre os pacientes.

“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, afirma a professora e pesquisadora do Hucam-Ufes Tânia Reuter, uma das responsáveis pelo estudo no Brasil.

Segundo ela, além da busca científica por novas possibilidades terapêuticas, o trabalho está inserido no esforço internacional para reduzir o impacto das hepatites virais.

“O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, destaca.

Pesquisa acompanhará pacientes por mais de quatro anos

Criado em 2023, o consórcio teve as atividades suspensas em 2024 e foi retomado no ano seguinte. A etapa brasileira começou em 2026 e deverá se estender por aproximadamente cinco anos, integrando pesquisa científica básica e acompanhamento clínico.

Os 600 participantes serão acompanhados por cerca de quatro anos e meio. Cada um dos quatro países deverá contribuir com 150 voluntários. No Hucam-Ufes, a equipe coordenada por Tânia Reuter será responsável pelo acompanhamento de 75 pessoas.

A pesquisa pretende identificar características genéticas e imunológicas que possam explicar por que algumas pessoas apresentam evolução mais rápida da hepatite B enquanto outras conseguem controlar melhor a infecção.

Outro objetivo é encontrar componentes do próprio vírus que possam funcionar como marcadores capazes de prever a resposta ao tratamento ou indicar caminhos para a cura.

“Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B”, explica Tânia. “[O que for achado] pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomodulador, etc”, afirma.

O recrutamento dos participantes começou em julho. Até agora, 40 pessoas já foram incluídas na pesquisa sob responsabilidade da equipe da Ufes. A expectativa da pesquisadora é completar o grupo de 75 voluntários até o fim deste ano, embora o prazo previsto pelo estudo se estenda até meados de 2027.

Infecção pode evoluir para cirrose e câncer de fígado

A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode permanecer silenciosa durante anos. Quando se torna crônica, pode provocar complicações graves, como cirrose e câncer hepático.

“O vírus da hepatite B é um dos maiores causadores de câncer hepático. Câncer primário de fígado ou hepatocarcinoma”, afirma Tânia Reuter.

“A gente está aqui trabalhando para mitigar a evolução de cirrose e câncer hepático”, acrescenta.

Dados citados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 240 milhões de pessoas viviam com hepatite B crônica em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos da doença entre 2000 e 2022.

A transmissão pode ocorrer pelo contato com sangue contaminado, em relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

A eliminação das hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030 faz parte das metas internacionais de saúde. Dados divulgados pela OMS indicam que as novas infecções por hepatites virais caíram globalmente nos últimos anos, movimento associado, entre outros fatores, à ampliação da vacinação infantil.

Vacina é principal forma de prevenção

Apesar de ainda não existir cura para a hepatite B, a doença pode ser prevenida. A principal medida é a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

Para crianças, o calendário prevê a primeira dose ao nascer, seguida pelas doses previstas no esquema de vacinação infantil. Para adultos que não foram imunizados anteriormente, o esquema geralmente é composto por três doses.

O uso de preservativos nas relações sexuais também reduz o risco de transmissão. Outra recomendação é não compartilhar seringas, agulhas, lâminas, alicates, instrumentos perfurocortantes ou outros objetos que possam ter contato com sangue.

Ao investigar as características do vírus e da resposta imunológica de pacientes de diferentes partes do mundo, os pesquisadores esperam encontrar pistas capazes de orientar o desenvolvimento de medicamentos e novas estratégias terapêuticas contra uma infecção que ainda representa importante desafio para a saúde pública mundial.

* Com informações da Agência Brasil.

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