Remessa inclui imunizantes contra febre amarela e raiva canina e integra a resposta humanitária brasileira ao desastre; estoques do SUS não serão afetados
O Brasil enviou à Venezuela uma remessa de 350 mil doses de vacinas para reforçar as ações de resposta em saúde após os terremotos que atingiram o país. O carregamento, embarcado no último sábado (4), reúne 100 mil doses da vacina contra a febre amarela e 250 mil doses da vacina contra a raiva canina, imunizantes considerados estratégicos para reduzir o risco de doenças em situações de emergência humanitária.
Segundo o Ministério da Saúde, a manutenção da vacinação é uma das principais medidas para proteger a população quando desastres naturais comprometem o funcionamento dos serviços de saúde. Nesses cenários, a interrupção da assistência médica, os deslocamentos populacionais e as dificuldades de acesso à vacinação podem aumentar a vulnerabilidade da população a doenças infecciosas.
A pasta informou que o envio das vacinas não compromete o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que a operação foi planejada para preservar os estoques nacionais.
O transporte foi realizado em um voo humanitário com previsão de chegada à Venezuela no domingo (5). A aeronave foi disponibilizada pela companhia aérea Gol, com intermediação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
Por que essas vacinas?
Embora terremotos não provoquem surtos de doenças de forma direta, eles podem criar condições favoráveis para a disseminação de infecções. A destruição de unidades de saúde, a interrupção de campanhas de imunização, a concentração de pessoas em abrigos temporários e os impactos sobre os serviços de saneamento dificultam a prevenção e o controle de doenças.
Nesse contexto, a vacina contra a febre amarela representa uma importante medida preventiva em regiões onde existe circulação do vírus ou risco de reintrodução da doença. Já a vacina contra a raiva canina faz parte das estratégias de vigilância e controle da raiva, especialmente em situações em que o desastre afeta o manejo de animais domésticos e amplia o risco de exposição da população.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a continuidade dos programas de imunização é uma das prioridades nas respostas a emergências humanitárias, justamente para evitar que crises provocadas por desastres sejam agravadas pelo surgimento de doenças preveníveis por vacinação.
Ajuda humanitária
Esta não é a primeira ação brasileira em apoio à Venezuela desde o início da emergência provocada pelos terremotos. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 7,1 toneladas de medicamentos e insumos estratégicos já foram encaminhadas ao país.
Entre os materiais enviados estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, seringas, luvas, máscaras, gazes, ataduras e dispositivos para infusão, utilizados no atendimento de pessoas feridas e na manutenção dos serviços de saúde durante a resposta ao desastre.
A nova remessa amplia o apoio brasileiro ao sistema de saúde venezuelano, incorporando medidas voltadas especificamente à prevenção de doenças. Em situações de emergência, especialistas ressaltam que controlar riscos sanitários é tão importante quanto garantir atendimento às vítimas, já que a ocorrência de surtos pode agravar ainda mais o impacto humanitário do desastre.
Ao informar que a operação não interfere no abastecimento do SUS, o Ministério da Saúde destacou que o envio faz parte das ações de cooperação internacional conduzidas pelo governo brasileiro para apoiar a resposta à emergência na Venezuela, contribuindo para reduzir os riscos à saúde pública e fortalecer as medidas de proteção da população afetada pelos terremotos.
Redação da Agência de Notícias da Aids



