Brasil é reconhecido pela OPAS ao lado de países do Caribe por avanço histórico contra o HIV entre crianças

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Certificação brasileira pela eliminação da transmissão vertical do HIV foi destacada ao lado de conquistas das Bahamas e das Ilhas Turcas e Caicos; avanço reforça meta regional de reduzir novas infecções na infância

O nascimento de crianças com HIV está se tornando cada vez mais raro em diferentes partes das Américas. Nesta semana, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) colocou três experiências no centro desse avanço: Brasil, Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos foram reconhecidos pelos resultados alcançados na eliminação da transmissão vertical do HIV, uma das frentes consideradas decisivas para que a região avance rumo ao fim da aids como ameaça à saúde pública.

A homenagem ocorreu durante a 63ª reunião do Conselho Diretor da OPAS e reuniu conquistas obtidas em momentos diferentes, mas que apontam para uma mesma direção: ampliar o acesso ao diagnóstico, ao pré-natal, ao tratamento e ao acompanhamento das gestantes para evitar que o HIV seja transmitido para seus filhos durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Entre os países reconhecidos, o Brasil ocupa uma posição de destaque. Certificado em dezembro de 2025 pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, tornou-se o país mais populoso do mundo a alcançar esse marco. As Bahamas receberam a certificação em abril de 2026. Já as Ilhas Turcas e Caicos foram reconhecidas, em junho, pela eliminação da transmissão vertical do HIV e também da hepatite B, tornando-se o primeiro território das Américas a alcançar este último resultado.

“Hoje celebramos uma conquista que reflete o melhor da nossa região: a capacidade de transformar o compromisso político, as evidências e a cooperação em resultados concretos para a saúde das pessoas”, afirmou o diretor da OPAS, Dr. Jarbas Barbosa.

Eliminar não significa zerar todos os casos

A certificação representa um marco sanitário importante, mas não significa que não possam mais ocorrer casos de transmissão do HIV da gestante para a criança.

O reconhecimento é concedido quando países e territórios atingem critérios epidemiológicos definidos internacionalmente e mantêm elevada cobertura de medidas essenciais, como testagem para HIV durante a gestação, início oportuno do tratamento antirretroviral e acompanhamento da mulher e do bebê.

Na prática, a certificação demonstra que a transmissão vertical foi reduzida a níveis muito baixos e deixou de representar um problema de saúde pública. A manutenção desse resultado, entretanto, depende da continuidade das políticas de prevenção e cuidado e da capacidade dos sistemas de saúde de alcançar também populações mais vulneráveis e pessoas que chegam tardiamente ao pré-natal.

Uma região que acumula avanços

O reconhecimento de Brasil, Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos se soma a uma trajetória construída há mais de uma década nas Américas. Em 2015, Cuba tornou-se o primeiro país do mundo a receber da Organização Mundial da Saúde a validação pela eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis.

Desde então, outros países e territórios da região avançaram na mesma direção, mostrando que evitar novas infecções por HIV entre crianças é uma meta possível quando prevenção, diagnóstico e tratamento chegam às mulheres no momento adequado.

“O Unaids se orgulha do progresso alcançado nas Américas na eliminação da transmissão vertical do HIV”, afirmou a diretora executiva adjunta do Unaids, Dra. Angeli Achrekar, durante a cerimônia. “O reconhecimento do Brasil, das Bahamas e das Ilhas Turcas e Caicos pela OPAS sinaliza um progresso significativo rumo ao fim da aids como uma ameaça à saúde pública até 2030.”

Meta é ampliar a eliminação para outras infecções

O desafio regional, agora, vai além do HIV. Os avanços fazem parte da iniciativa de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV Plus, estratégia que pretende eliminar na América Latina e no Caribe a transmissão da gestante para a criança de quatro doenças e infecções: HIV, sífilis, hepatite B e doença de Chagas.

A iniciativa é desenvolvida pela OPAS em parceria com Unicef e Unaids e integra uma estratégia ainda mais ampla que pretende eliminar mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas nas Américas até 2030.

O tema também ganhou novo impulso na agenda internacional. Durante a recente Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Aids, os Estados-Membros assumiram o compromisso de “priorizar e acelerar urgentemente a eliminação da transmissão vertical do HIV”.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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