Brasil avança na modernização do SUS com construção do primeiro Hospital Inteligente do país

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Projeto de R$ 1,7 bilhão do Ministério da Saúde será erguido no complexo do Hospital das Clínicas da USP e inaugurará uma nova era tecnológica na atenção às emergências

O Brasil dará um salto inédito na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) com a construção do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) — o primeiro hospital inteligente do país. O projeto, com investimento estimado em R$ 1,7 bilhão, será viabilizado por meio de cooperação com o Banco do BRICS, que analisa a documentação final enviada pelo Ministério da Saúde.

Na prática, o novo instituto promete revolucionar o atendimento de urgência e emergência no SUS, utilizando inteligência artificial, big data, telemedicina, integração de dispositivos médicos e sistemas de gestão em tempo real. A expectativa é reduzir pelo menos 25% do tempo de espera no pronto-socorro, diminuindo a média atual de 120 para 90 minutos.

O novo hospital fará parte do complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

A unidade compõe a recém-lançada Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, que prevê ainda a implantação de 14 UTIs inteligentes e mais oito novos serviços automatizados nas cinco regiões do país. Ao todo, o governo federal investirá R$ 4,5 bilhões, como parte do programa Agora Tem Especialistas, voltado a modernizar e ampliar a assistência hospitalar especializada.

“Estamos inaugurando uma nova era no SUS”, afirma o ministro Alexandre Padilha

Durante a coletiva realizada no Hospital das Clínicas, em São Paulo, nesta quarta-feira (19), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a transformação que o modelo de hospital inteligente representará para o SUS:

“Com o hospital inteligente, estamos trazendo para o Brasil aquilo que tem de mais inovador no uso da inteligência artificial, tecnologia de dispositivos médicos e da gestão integrada de dados para cuidar das pessoas e salvar vidas. Estamos tendo a chance de inovar a rede pública de saúde, e o melhor de tudo, 100% SUS. Além do primeiro hospital inteligente, também vamos expandir a rede para 13 estados com UTIs que contarão com a mesma tecnologia”, destacou.

O ministro também lembrou o papel estratégico das novas tecnologias para ampliar a precisão diagnóstica, reduzir deslocamentos internos de pacientes, integrar fluxos assistenciais e melhorar a experiência de trabalho de profissionais de enfermagem e equipes clínicas — discurso reforçado também durante sua visita à China, onde conheceu modelos hospitalares semelhantes.

Impacto do projeto para São Paulo

A formalização do Instituto Tecnológico de Emergência só foi possível graças ao acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, a Faculdade de Medicina da USP e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que fará a cessão do terreno e a integração estrutural do novo hospital ao complexo do HC.

Durante a cerimônia, o secretário de Estado da Saúde, dr. Eleuses Paiva, destacou que o HC já é um centro de excelência reconhecido internacionalmente — ponto que, segundo ele, justificou a escolha do local para sediar o primeiro hospital inteligente do Brasil. Entre agradecimentos a pesquisadores, docentes da FMUSP e lideranças técnicas da secretaria, reforçou que a iniciativa representa “um avanço concreto, com potencial de transformar a qualidade do cuidado em urgência em todo o país.”

A visão das instituições parceiras

A diretora da Faculdade de Medicina da USP, Eloísa Bonfá, ressaltou que o instituto digital inaugura um novo horizonte para o SUS: “Hoje celebramos um momento histórico, o lançamento do instituto tecnológico de emergência que inaugura um novo horizonte para a saúde do nosso país. É muito bom saber que o Ministério da Saúde tem essa visão de futuro para ampliar a assistência e inovação para a população.”

Idealizadora do projeto, a professora e cardiologista Ludhmila Hajjar detalhou o conceito integrado do hospital: “O Instituto vai levar inovação e saúde digital para cada paciente e, ao mesmo tempo, viabilizar um sistema de cuidado totalmente conectado e inteligente. Além disso, será uma rede de ensino, pesquisa e desenvolvimento para capacitar profissionais que ampliará a qualidade do atendimento”.

O superintendente do HC, Antônio José Rodrigues, destacou a relevância nacional da unidade: “Também já fomos classificados com um dos melhores hospitais públicos. Atualmente, o HC responde por 35% dos casos de alta complexidade no estado de São Paulo. Esse projeto inovador vai ampliar a assistência e o cuidado com a população”.

Estrutura moderna e impacto direto no atendimento

O futuro hospital terá capacidade para:

* 180 mil atendimentos anuais em emergência e terapia intensiva
* 10 mil atendimentos em neurologia e neurocirurgia
* 60 mil consultas ambulatoriais em neurologia

Com sistemas integrados, inteligência artificial e equipamentos de última geração, a expectativa é reduzir:

* Tempo de UTI de 48h para 24h
* Tempo de enfermaria de 48h para 36h
* Custos operacionais em até 10%

A estrutura seguirá padrões internacionais de sustentabilidade, com certificação verde, monitoramento energético e gestão inteligente de resíduos.

Rede de UTIs Inteligentes em hospitais de 13 estados do país

As 14 UTIs inteligentes vão funcionar de forma interligada em hospitais selecionados pelo Ministério da Saúde junto com gestores de treze estados do país, nas cidades de Manaus (AM), Dourados (MS), Belém (PA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF).

Serão serviços totalmente digitais, com monitoramento contínuo, integração entre equipamentos e sistemas de informação. A tecnologia auxiliará na previsão de agravos, apoiará decisões clínicas, otimizará avaliações e permitirá a troca de conhecimento entre especialistas em diferentes regiões. Também estarão conectadas a uma central de pesquisa e inovação.

O Ministério da Saúde, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), secretarias de saúde e universidades, modernizará hospitais de excelência localizados em São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A primeira fase contemplará, também na capital paulista, o novo hospital da Unifesp e, no Rio de Janeiro, quatro hospitais federais a partir de parceria com GHC, Fiocruz, UNIRIO e UFRJ. O projeto inclui também o Novo Hospital Oncológico da Baixada Fluminense (RJ) e do Instituto do Cérebro. No Rio Grande do Sul, será o Novo Hospital do Grupo Hospitalar Conceição (RS).

As novas tecnologias e a luta contra aids

Durante a coletiva de imprensa, a jornalista Roseli Roseli Tardelli, diretora da Agência Aids, questionou o ministro Alexandre Padilha sobre o impacto das novas tecnologias nas políticas de prevenção ao HIV no Brasil. “Ministro, como é que esse tipo de tecnologia pode ampliar as ações de prevenção que o Brasil tem quando a gente fala do nosso assunto, que é HIV, e como é que pode acolher as pessoas vivendo?”

Padilha destacou que os avanços tecnológicos têm potencial para transformar o atendimento e ampliar a efetividade das políticas de prevenção. “Primeiro, Roseli, a gente vê cada vez mais que as pessoas que vivem com o HIV uma coisa positiva pela qualidade dos tratamentos, os tratamentos antirretrovirais, mas as pessoas ao longo da vida começam a ter outros problemas de saúde, problemas cardíacos, problemas neurológicos. A pessoa que vive com o HIV pode ter uma situação de trauma, de urgência e emergência. Então, oferecer pra essas pessoas um serviço tecnológico que vai salvar a sua vida, integrando os dados. Então, é um hospital que pode ter acesso aos dados do centro de referência especializado, do acompanhamento que aquela pessoa tem, do seu histórico, acumulando esses dados, essas informações de ter respostas mais rápidas.”

O ministro explicou ainda que sistemas avançados de informação em saúde — especialmente aqueles que utilizam inteligência artificial — podem agilizar diagnósticos ao reunir bancos de imagens, como tomografias, ressonâncias e ultrassons de pessoas vivendo com HIV.

“A inteligência artificial pode ter um banco de imagens. De tomografias, de ressonâncias, de ultrassons de pessoas que vivem com HIV, então ter esse banco de imagens, ter acumulado esse conhecimento faz com que o médico vai fazer o laudo daquele exame, que vai interpretar aquele exame, tenha uma ferramenta a mais para acertar no diagnóstico, fazer o tratamento o mais preciso.”

Em relação à prevenção, ele reforçou que a produção e integração de dados qualificam a comunicação pública — e comunicação, destacou, é uma das chaves para fortalecer práticas preventivas em todo o país.

“E para prevenção os dados que vão ser produzidos, na medida que você consegue produzir dados, você consegue transformar isso em comunicação para a sociedade. E ao gerar uma comunicação adequada para a sociedade, você consegue convencer as pessoas cada vez mais a usar as práticas preventivas e com isso a gente reduzir o risco.”

Ao final, o ministro lembrou que o Brasil está prestes a alcançar um marco histórico: a eliminação da transmissão vertical do HIV, cuja validação formal pela Organização Mundial da Saúde é esperada ainda este ano.

“O Brasil está alcançando nesse ano algo histórico para o HIV, que é a eliminação da transmissão vertical do HIV. Apresentamos isso para a OPAS, estamos com a expectativa até o final desse ano de ter a resposta formal da Organização Mundial de Saúde sobre isso. Ter um hospital, um serviço que ajude a integrar os dados, ter conhecimento sobre isso é uma arma muito potente para as ações de prevenção, de orientação e comunicação.”

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

Ministério da Saúde – Assessoria de Imprensa

Te.: (61) 3315-3580

 

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