O Ministério da Saúde do Brasil apresentou, nesta terça-feira (14), os principais avanços e estratégias nacionais no enfrentamento de doenças transmissíveis e imunopreveníveis durante a reunião ordinária do Subgrupo de Trabalho 11 da Comissão de Vigilância em Saúde (COVIGSAL) do Mercosul, realizada em Brasília. O encontro contou com a presença de representantes da Argentina, Paraguai e Uruguai, que compartilharam informações sobre seus cenários epidemiológicos e coberturas vacinais, fortalecendo o intercâmbio regional de experiências e boas práticas.
A delegação brasileira destacou indicadores positivos nas áreas de zoonoses, vírus respiratórios e doenças imunopreveníveis, além das medidas implementadas para aprimorar a vigilância epidemiológica e prevenir surtos em território nacional.
Entre os destaques, o país apresentou avanços no controle da doença de Chagas, raiva, hantavirose e leishmanioses. No caso da Chagas crônica, a ampliação da vigilância desde 2023 tem permitido identificar áreas historicamente endêmicas e reduzir a mortalidade, embora os índices ainda permaneçam elevados. A raiva humana e animal segue em declínio, impulsionada por campanhas massivas de vacinação. O Brasil planeja submeter, até o fim de 2025, o dossiê de eliminação da variante canina da doença, com expectativa de certificação internacional em 2026. Já nas leishmanioses, o uso de tecnologias inovadoras de controle vetorial, como coleiras impregnadas com inseticidas, vem reduzindo o número de casos em municípios que adotaram essa estratégia.
A malária continua concentrada na região amazônica, afetando principalmente populações indígenas, garimpeiros e comunidades rurais de difícil acesso. De acordo com Marília Santini de Oliveira, diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, o país tem obtido resultados expressivos no combate à doença.
“Estamos conseguindo progressos graças à utilização da tafenoquina, ao uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas e à pulverização residual. Essas estratégias têm contribuído expressivamente para reduzir a transmissão, embora ainda seja necessário intensificar os esforços para alcançar a meta de eliminação até 2025”, destacou.
O Brasil também apresentou dados recentes sobre as hepatites virais. Entre 2014 e 2024, houve redução de 34,6% na taxa de detecção de hepatite B e estabilidade nos casos de hepatite C — resultado da adoção de métodos diagnósticos mais sensíveis. A mortalidade por hepatite C caiu de 1,0 para 0,4 óbito por 100 mil habitantes no período. Sobre a mpox, o cenário nacional seguiu a tendência global, com pico de casos em 2022, redução em 2023, aumento em 2024 e estabilização em 2025.
Em relação à tuberculose, o país registrou 85.936 novos casos em 2024, mas com desaceleração no ritmo de crescimento. Avanços importantes incluem o uso ampliado do teste rápido molecular, o esquema encurtado 3HP para infecção latente — que aumentou a adesão ao tratamento — e a melhora contínua nas taxas de sucesso terapêutico em casos de tuberculose drogarresistente. A doença, no entanto, ainda atinge de forma mais severa populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua.
Outro ponto abordado foi o sarampo. Até o momento, o Brasil registrou 34 casos confirmados em 2025, todos importados ou relacionados a casos importados, sem transmissão autóctone. O país recebeu a recertificação de eliminação da doença em 2024. Segundo Jadher Pércio, coordenador-geral de Farmacovigilância do Ministério da Saúde, cada caso suspeito desencadeia uma resposta imediata.
“Nosso objetivo é impedir a reintrodução e a disseminação do vírus, garantindo que os surtos sejam rapidamente controlados”, explicou.
Cooperação nas fronteiras
Os participantes da reunião reforçaram que as regiões de fronteira representam áreas estratégicas para a vigilância em saúde, dada a maior probabilidade de disseminação de doenças. O encontro também destacou a importância da cooperação internacional e da troca constante de informações entre os países do bloco, especialmente em fronteiras terrestres e marítimas, garantindo respostas rápidas e coordenadas diante de possíveis surtos.
A reunião da COVIGSAL reafirmou o compromisso dos países do Mercosul em fortalecer a vigilância conjunta, promover a imunização e compartilhar tecnologias e estratégias de prevenção para reduzir o impacto das doenças transmissíveis na região.
Redação da Agência Aids com informações



