Brasil anuncia inovação no diagnóstico do HPV e reforça compromisso com eliminação do câncer do colo do útero na ONU

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O Brasil reafirmou na quarta-feira (25) o compromisso com a eliminação do câncer do colo do útero, durante a reunião de alto nível “Advancing women’s health: leveraging innovative financing and partnerships”, realizada na sede da ONU, em Nova York. Representando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, impedido de viajar por restrições de visto impostas pelo governo americano, a vice-ministra da Saúde, Mariângela Simão, destacou que “todas as mortes por câncer do colo do útero podem ser prevenidas” e que já existem ferramentas eficazes para isso.

“A questão central é garantir que vacinas, exames e tratamentos estejam disponíveis em todos os países. O câncer relacionado ao HPV é evitável, e eliminar o câncer cervical é uma prioridade do Brasil”, afirmou Mariângela.

Inovação no rastreamento

Um dos principais anúncios foi a substituição da citologia pelo teste molecular de DNA do HPV como método de rastreamento do câncer do colo do útero. O novo exame, produzido nacionalmente, detecta 14 genótipos do vírus e será oferecido a mulheres de 25 a 64 anos, com intervalo de cinco anos entre as testagens. A expectativa é que esteja disponível em todos os estados até o fim de 2025.

“Este é um passo decisivo para o diagnóstico e tratamento precoce, além de uma ferramenta essencial para reduzir filas na atenção especializada e salvar vidas”, reforçou a vice-ministra.

Vacinação contra o HPV

Mariângela também destacou a ampliação da vacinação contra o HPV no Brasil. Introduzida em 2014, a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a meninas e meninos de 9 a 14 anos, e, mais recentemente, também para adolescentes de 15 a 19 anos. O país figura entre os poucos no mundo a adotar essa estratégia em escala nacional e já estendeu a imunização para populações em maior risco, como pessoas vivendo com HIV, imunossuprimidos, sobreviventes de violência sexual e usuários de PrEP.

Apesar dos avanços, os índices de cobertura vacinal seguem desafiadores: 82% entre meninas e apenas 67% entre meninos. Para reverter o cenário, o Brasil aderiu à estratégia de dose única, conforme recomendação da OMS, e vem fortalecendo parcerias com sociedades científicas e movimentos sociais. Outro passo relevante foi a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o Instituto Butantan e a MSD, que permitirá ao país alcançar a produção integral da vacina.

Cooperação internacional e equidade

Diante da dimensão continental do Brasil – com mais de 213 milhões de habitantes distribuídos em 5,5 mil municípios –, Mariângela defendeu a necessidade de financiamento sustentável, transferência de tecnologia e equidade no acesso à inovação.

“O caminho para eliminar o câncer do colo do útero passa por vacina, diagnóstico e tratamento oportuno. Estamos prontos para avançar com nossos parceiros globais”, afirmou.

O diretor executivo da Unitaid, Philippe Duneton, reforçou a importância de investir na saúde das mulheres como eixo transformador da saúde pública. “Não se trata apenas de assistência técnica ou soluções médicas isoladas, mas de adotar uma abordagem integrada, baseada em ciência e cooperação internacional”, disse. Para ele, a liderança compartilhada entre governos, ONGs e comunidades é essencial para garantir um futuro mais equitativo.

Voz das mulheres

O encontro contou ainda com a participação de lideranças internacionais e de Karen Nakawala, diagnosticada com câncer cervical e fundadora da Teal Sisters Foundation. Em um depoimento emocionante, ela relatou o impacto pessoal da doença:

“Receber o diagnóstico de câncer cervical foi devastador, mas o mais difícil foi contar para minhas filhas”, afirmou. Karen ressaltou que muitas mulheres ainda enfrentam estigma, vergonha e barreiras de acesso ao rastreamento e tratamento, sobretudo em países de baixa e média renda.

Com a fundação, ela busca oferecer acolhimento, informação e acesso a cuidados. “A ciência já nos deu ferramentas eficazes – vacinas, testes de baixo custo e tratamentos. O que falta é vontade política e investimento sustentado. Se agirmos juntos, o câncer cervical pode deixar de ser uma história de dor e se tornar uma história de esperança para todas as mulheres do mundo”, concluiu.

Além de Mariângela e Duneton, participaram do encontro o ministro da Saúde de Ruanda, Dr. Sabin Nsanzimana; o representante francês Thani Mohamed-Soilihi; o diretor do Global Financing Facility (GFF), Luc Laviolette; e o diretor executivo da Unitaid, Tenu Avafia.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações

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