Brasil amplia protagonismo na pesquisa clínica global e aproxima o futuro dos pacientes, informa Estadão

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Novo marco regulatório fortalece potencial brasileiro para o desenvolvimento de estudos clínicos; Novartis aumenta sua atuação no País com pesquisas em áreas estratégicas

De terapias gênicas a radiofármacos, passando por medicamentos desenvolvidos para condições que ainda possuem necessidades médicas não atendidas, a inovação em saúde depende de um longo processo de desenvolvimento e validação científica. É a pesquisa clínica que transforma descobertas feitas na bancada em terapias seguras e eficazes, permitindo que avanços da medicina saiam dos laboratórios e alcancem a população.

No Brasil, a pesquisa clínica vive um momento de transformação. A aprovação da Lei nº 14.874/2024 criou um ambiente mais favorável para novos estudos e reforçou o interesse de empresas como a Novartis, que considera o País estratégico em sua agenda global de pesquisa clínica. O avanço regulatório, aliado às características populacionais do Brasil, amplia as perspectivas de participação do País em estudos internacionais e as possibilidades de pacientes terem acesso a terapias inovadoras.

Um estudo recente da Interfarma, em parceria com a IQVIA, aponta que o Brasil alcançou a 12ª posição mundial em estudos clínicos iniciados em 2026, ganhando seis posições em relação a 2025, ano em que ocupava a 18ª posição.

Um ambiente mais favorável para a pesquisa
A pesquisa clínica avalia a segurança e a eficácia de novas terapias antes de sua disponibilização à população. Embora participe de estudos internacionais há décadas, o Brasil enfrentou entraves regulatórios que limitaram esse mercado. A nova legislação busca tornar os processos mais previsíveis e ampliar a atratividade do País.

Nesse cenário, a Novartis aumentou sua atuação no Brasil. Em 2025, investiu cerca de R$ 145 milhões em pesquisa clínica – alta de aproximadamente 45% em relação ao ano anterior. Atualmente, conduz 114 estudos envolvendo mais de 2,4 mil pacientes em áreas como onco-hematologia, imunologia, doenças cardiovasculares, renais e metabólicas e neurociências, incluindo plataformas de alta complexidade, como terapias gênicas, celulares e radioligantes.

“Com uma das maiores diversidades étnicas do mundo e uma carga significativa de doenças infecciosas, crônicas e raras, o Brasil reúne características que o tornam um ambiente estratégico para os principais programas globais de pesquisa clínica”, afirma André Sanches, diretor nacional de Pesquisa Clínica. Essa diversidade também torna as evidências produzidas no País mais representativas para diferentes populações. Uma base mais diversa de participantes permite avaliar os tratamentos em diferentes perfis de pacientes, gerando evidências mais robustas e aplicáveis à prática clínica.

Quando inovação e acesso caminham juntos
A realização de pesquisas clínicas fortalece a infraestrutura de saúde, estimula a formação de profissionais especializados e amplia a capacidade dos centros participantes de oferecer atendimento qualificado. Para a Novartis, cada estudo também representa uma oportunidade de ampliar o acesso antecipado de pacientes, especialmente em doenças com poucas ou nenhuma alternativa terapêutica.

Nos últimos anos, iniciativas voltadas à descentralização dos estudos vêm buscando mudar esse cenário, como um programa de capacitação realizado pela Novartis com centros de saúde do Amazonas, Pará e Amapá para pesquisas sobre doença de Chagas aguda. Além do suporte técnico aos estudos, a iniciativa contribuiu para ampliar ações diagnósticas e fortalecer a assistência local.

No Brasil, a diversidade étnica, cultural e geográfica aumenta a importância desse desafio. Incluir participantes com diferentes perfis contribui para ampliar o alcance dos estudos e fortalecer a geração do conhecimento aplicável às diferentes realidades do País.

“Diversidade e inclusão em estudos clínicos não são apenas uma questão de equidade, mas um requisito para a excelência científica. Garantir a participação de pessoas de diferentes etnias, origens e realidades amplia o acesso à inovação e permite gerar evidências mais representativas da população que receberá essas terapias na prática. Para isso, é essencial reduzir barreiras à participação e desenvolver abordagens que promovam o engajamento de comunidades historicamente sub-representadas na pesquisa clínica”, afirma Claudia Felipe, head de Assessoria Médica em Pesquisa Clínica.

Em um cenário de rápida evolução científica, ampliar a pesquisa clínica significa fortalecer o sistema de saúde, desenvolver conhecimento local e acelerar o acesso à inovação. Com um ambiente regulatório mais favorável, o Brasil reúne condições para consolidar seu papel entre os principais polos de pesquisa clínica da América Latina.

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